Perímetros irrigados do Governo de Sergipe garantem produção de amendoim durante todo o ano

Agricultores abastecidos pelo Perímetro Piauí, em Lagarto, estão no período de colheita e celebram bons rendimentos com o plantio

O amendoim é uma das culturas mais relevantes para a segurança alimentar em Sergipe, sendo um dos itens mais produzidos e consumidos no estado. Ao contrário do que acontece em outros estados do país, onde há maior produção e consumo em meses como maio e junho, em decorrência dos festejos juninos, em Sergipe, a produção é contínua, muito por conta da alta demanda. Para suprir essa necessidade, os perímetros irrigados administrados pelo Governo de Sergipe têm papel fundamental, tanto para o cultivo quanto para o apoio aos pequenos produtores que dependem dessa cultura. 

De janeiro a agosto deste ano, os perímetros de Jacarecica I (Itabaiana) e Piauí (Lagarto), por exemplo, colheram um total de 73,25 hectares de amendoim, 25,6% a mais que no mesmo período de 2024, produzindo 310 toneladas de vagens para cozimento, também 31% a mais, e a produção rendeu R$ 1.752.790 aos agricultores irrigantes, 27% maior que no mesmo recorte do ano anterior. 

No município de Lagarto, a produção continuada no Perímetro Irrigado Piauí, que existe desde 1987, tem sido essencial para os produtores. Para eles, sem esse abastecimento fornecido pelo governo, a produção ficaria comprometida, sobretudo do amendoim cozido, declarado patrimônio cultural e imaterial de Sergipe em 2021. 

No ano passado, nos cinco perímetros irrigados administrados pela Companhia de Desenvolvimento Regional de Sergipe (Coderse), vinculada à Secretaria de Estado da Agricultura, Desenvolvimento Agrário e da Pesca (Seagri), foram cultivados 169,4 hectares de amendoim, o que equivale a 794,6 toneladas de vagens para cozimento. A produção rendeu R$ 4.475.772,00 aos agricultores irrigantes, somente com esta leguminosa. 

O diretor de Irrigação da estatal, Júlio Leite, explica que o cultivo do amendoim é incentivado nos perímetros por oferecer um conjunto de benefícios que vão além da produção. “Como a produção sergipana é praticamente toda destinada ao amendoim cozido, nos perímetros há sempre produtores que cozinham a sua e a produção dos vizinhos, agregando valor ao produto, que já sai do perímetro pronto para o consumo, gerando mais renda para a agricultura irrigada. Outra vantagem é que o amendoim é uma ótima cultura de transição, fixando nutrientes e conservando a qualidade do solo para a procura lavoura a ser plantado na mesma área”, enfatizou.

Bons rendimentos

Com a chegada do final do ano, produtores como Antônio Barbosa, de 22 anos, que administra com a família uma propriedade de 4,8 hectares, estão em período de colheita. “Tudo que tenho hoje, como carro e casa, eu tirei da roça. Aliás, minha família toda também construiu bens assim. Estamos no período da colheita para vender para a cidade porque os amendoins já estão maduros. Se fosse na época dos meus pais, quando não havia o perímetro, muito provavelmente a gente plantaria poucos dias antes do inverno e aguardaria a chuva”, declarou o produtor, que precisou contratar funcionários para ajudá-lo na colheita.

O lavrador lembrou, também, que antes do perímetro irrigado a população se restringia apenas às culturas de fumo e mandioca, em Lagarto, diferentemente do que ocorre hoje, quando uma mesma propriedade consegue trabalhar o ano inteiro com, pelo menos, cinco tipos de culturas diferentes. “Naquela época, além da cultura ser limitada, ainda tinha que esperar o tempo certo de plantar”, completou. 

Para implantar o perímetro irrigado, o Governo do Estado construiu a barragem, deu infraestrutura aos lotes, que é o ponto de água, e daí para frente o produtor assumiu a responsabilidade da produção, sempre com o apoio dos técnicos agrícolas da Companhia de Desenvolvimento Regional de Sergipe (Coderse). “O perímetro irrigado modificou a economia da cidade porque deu para introduzir mais culturas, que podem ser produzidas o ano inteiro”, acrescentou Antônio.

O lavrador Raimundo Lisboa, mais conhecido como Cacá, também reconhece a importância da estrutura para os produtores, que, segundo ele, possibilitou o envio de seus dois filhos à faculdade. “Com o que produzi aqui, hoje tenho um filho policial militar e outro dentista”. 

Variedades de culturas

Sua propriedade de 2,1 hectares está no período de replantio de amendoim. “Já colhemos e estamos plantando novamente, mas temos outras culturas aqui também, inclusive milho. Com o perímetro irrigado, não estou restrito a um tipo específico de cultura, posso plantar a qualquer momento ao longo do ano. Normalmente cultivo uma tarefa [0,33 hectares] aproximadamente de amendoim. Na última colheita tive 237 medidas [baldes de 12 litros], o que me rendeu cerca de R$ 2 mil de lucro. O amendoim leva três meses para ser colhido, então é possível plantar novamente. Ou seja, não há um longo intervalo. Não há necessidade de alternar a terra”, relatou o agricultor de 60 anos de idade, que atua na região desde a implantação do perímetro irrigado em Lagarto.

Francisco Saturnino dos Santos, o Chiquinho de Neusa, segue a mesma lógica de Raimundo: sua propriedade abastecida pelo perímetro irrigado lhe rendeu bens e investimentos para a família. Apesar dos 82 anos de idade e já estar aposentado, ele segue com a produção junto de dois, dos cinco filhos. “Minha propriedade mede 25 tarefas [7,5 hectares] e aqui tem de tudo. O amendoim são meus dois filhos que estão plantando, mas continuo trabalhando com eles. Inclusive, o nosso amendoim já está bom de colher”, pontuou o produtor, que afirma tirar, em média, R$ 5 mil de lucro por colheita.

O agricultor Aguinobaldo José do Nascimento, o Badinho, também vive do que produz, e prepara o filho de 23 anos de idade para dar sequência ao legado da família. “Tenho duas tarefas [0,6 hectares] de terra dentro do perímetro. Como o amendoim já está maduro, devo colher, no máximo, em 30 dias. É uma cultura muito fácil porque dentro de três meses ele já está maduro e aparece logo gente para comprar. O perímetro irrigado foi uma das melhores coisas para o produtor. Se não tivesse irrigação, não teríamos como plantar. Só poderíamos plantar para colher no inverno, no São João. Mas nós plantamos para colher o ano inteiro”, garantiu. 

Perímetro irrigado

A Coderse gerencia o perímetro irrigado em Lagarto fornecendo água e assistência técnica, que inclui suporte para a aplicação de novas tecnologias como fertirrigação e plasticultura. O perímetro produz uma grande variedade de culturas, como milho verde, abóbora e tomate, e tem como objetivo fortalecer a economia local e estadual, gerando emprego e renda para os agricultores. 

A produção agrícola no Perímetro Irrigado de Lagarto tem apresentado bons resultados. Em 2024, a produção total foi de 11 mil toneladas, um aumento significativo em relação ao ano anterior, impulsionada em parte pela melhora na infraestrutura do sistema, como a entrega de novas motobombas.

Atualmente, a Companhia administra seis perímetros: Califórnia (Canindé do São Francisco), Jabiberi (Tobias Barreto), Jacarecica I (ltabaiana), Jacarecica II (Malhador, Areia Branca e Riachuelo), Piauí (Lagarto) e Poção da Ribeira (Itabaiana).

Perímetros irrigados estaduais iniciam ‘doação simultânea’ ao Programa de Aquisição de Alimentos da Conab

Com irrigação, assistência técnica para lavoura e formalização dos projetos, Coderse facilita acesso dos produtores ao PAA desde 2008, entregando mais de quatro mil toneladas de alimentos para pessoas carentes de Sergipe

Cinco associações de produtores dos perímetros de irrigação estaduais começaram, em novembro, as primeiras entregas ao Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), mantido pela Conab, na modalidade ‘compra com doação simultânea’. São 127 agricultores assistidos pelo Governo do Estado, produzindo alimentos em benefício de 15,5 mil pessoas em situação de insegurança alimentar. Elas vão receber, em entregas quinzenais, 230 toneladas de produtos da irrigação pública. 

São 10 meses de vigência para os projetos propostos pelos agricultores irrigantes dos perímetros irrigados estaduais Piauí, em Lagarto; Jacarecica II, em Malhador; Poção da Ribeira, em Itabaiana; e Califórnia, em Canindé de São Francisco. No período, eles serão remunerados com um montante de R$ 1,27 milhão. São beneficiadas as famílias carentes assistidas pelos centros de referência de assistência social (Cras) de Canindé, Divina Pastora, General Maynard, Lagarto e Santa Rosa de Lima.

A Companhia de Desenvolvimento Regional de Sergipe (Coderse), vinculada à Secretaria de Estado da Agricultura, Desenvolvimento Agrário e da Pesca (Seagri), acompanha os irrigantes dos perímetros, oferecendo um assessoramento na formalização e cadastro junto ao Governo Federal. 

Para o diretor-presidente da empresa, Paulo Sobral, a iniciativa é de fundamental importância para a agricultura familiar. “Beneficia o produtor rural, que tem a segurança de comercializar seus produtos com valor justo e, principalmente, as pessoas em insegurança alimentar. O Governo do Estado, por meio da Coderse, estimula e dá a condição para que os agricultores tenham esses produtos o ano todo e, com isso, possa atender esse e demais programas aqui no estado de Sergipe”, considerou Paulo Sobral. 

Desde 2008, a companhia apoia os irrigantes no PAA, gerando a doação de mais quatro mil toneladas de alimentos. 

Lagarto e General Maynard

A primeira associação a entregar os alimentos, no dia 12 de novembro, foi a do Povoado Fazenda Grande, formada por irrigantes do perímetro Piauí, em Lagarto, no centro-sul sergipano. 

A agricultora Patricia Santos Ferreira Santana e outros 29 produtores iniciaram o envio das quase 60 toneladas de alimentos que atenderão, durante 10 meses, 3.500 pessoas assistidas pelo Cras de General Maynard. “A vida no campo não é fácil, mas é maravilhosa. Só de colher o fruto do que a gente plantou, é maravilhoso. E esse PAA é muito bom porque repassa as mercadorias com preço justo. Isso mostra que o programa valoriza o trabalho no campo. E a Coderse é muito importante para gente porque, além do fornecimento da água, tem os técnicos que nos auxiliam. Quando a nossa roça dá alguma praga, eles nos orientam. A Coderse, aqui, é de suma importância. A irrigação é muito boa, para que a gente tire a nossa plantação”, avaliou Patricia.

Canindé

Presidente da Associação dos Agricultores Irrigantes de Canindé de São Francisco (Assai) e irrigante no perímetro Califórnia, Ozeias Beserra avalia que o PAA gera renda para o agricultor e diminui a insegurança alimentar no município. “Isso é um programa muito importante onde todo mundo sai ganhando. Desde a produção, até a elaboração do projeto, a Coderse vem nos ajudando. A Coderse fornece água, de inverno a verão, nove horas por dia, para que o produtor tenha a capacidade de produzir alimento durante o ano todo. Se não fosse a Coderse, a gente não conseguiria participar do PAA”, analisou. 

A Assai realizou sua primeira entrega no último dia 27, atendendo ao Cras mantido pela prefeitura daquele município do alto sertão, com 2.360 quilos de banana, batata-doce, melancia, goiaba, abobrinha, alface, couve, coentro, macaxeira, tomate, acerola, melão maracujá, milho e quiabo. São 32 agricultores do perímetro irrigado que vão fornecer, durante 10 meses, mais de 54 toneladas de alimentos para beneficiar três mil pessoas atendidas pelo Cras municipal. 

No dia da entrega da Assai, Conab, prefeitura municipal, associação, produtores e a Coderse, realizaram reunião introdutória sobre as regras do PAA. Coordenador do PAA na companhia federal em Sergipe, Francisco Carlos expõe que o programa atende a quase todos os 75 municípios de Sergipe, recebendo, em 2025, a inscrição de cerca de 120 projetos de compra da produção para a ‘doação simultânea’. Além do Cras, ele anuncia que o PAA vai passar a também fornecer alimentos ao programa Cozinha Solidária, também do Governo Federal.

“Atualmente, estamos participando em 80 projetos e aqui em Canindé é um deles, onde vai amenizar o custo da prefeitura. Os produtores vão fazer essa venda para Conab e doar diretamente para o Cras. E a Coderse é um dos grandes parceiros da gente. Tem nos ajudado muito nos perímetros, na questão da documentação, na qualidade dos produtos, que é muito importante. É uma ferramenta do governo estadual em parceria com o federal, que está melhorando a vida do homem do campo”, justifica Francisco Carlos.

Sergipe consolida maturidade sanitária e fortalece vigilância após retirada da vacinação contra a febre aftosa

Com novo status sanitário, Sergipe intensifica ações e garante proteção ao rebanho

Lucas Faria/Foto: Ascom Seagri

Sergipe vem consolidando, ano após ano, uma postura de maturidade sanitária que o coloca entre os estados mais preparados do país na prevenção e controle de doenças vesiculares. Desde abril de 2024, quando recebeu do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) o reconhecimento oficial como zona livre de febre aftosa sem vacinação, o estado intensificou, ainda, mais suas ações de vigilância e aperfeiçoou as rotinas que mantêm o rebanho protegido. 

A retirada da vacinação elevou o nível de responsabilidade de todos os envolvidos na cadeia produtiva, exigindo rigor técnico, agilidade nas respostas e integração entre produtores, médicos-veterinários, técnicos e instituições. Para garantir segurança sanitária contínua, Sergipe ampliou práticas essenciais como fiscalização de trânsito animal com barreiras sanitárias, fortalecimento do cadastro de propriedades rurais, monitoramento clínico permanente do rebanho, inspeções em feiras, leilões e eventos pecuários, programas de educação sanitária e resposta imediata a qualquer notificação suspeita.

Além disso, os mecanismos de controle documental foram reforçados, com destaque para a emissão da Guia de Trânsito Animal (GTA) — ferramenta que assegura que apenas animais saudáveis e devidamente registrados circulem pelo território estadual, como destacou a Diretora de Defesa Animal e Vegetal, Aparecida Andrade. “A manutenção do status sanitário depende diretamente da organização e da rastreabilidade das informações sobre o rebanho. Por isso, a atualização cadastral tornou-se uma das principais prioridades da Emdagro”, ressaltou. 

A atualização cadastral a qual a diretora menciona está prevista na Portaria nº 20/2024/EMDAGRO, que estabelece que a campanha anual de atualização dos rebanhos deve ocorrer entre 1º de abril e 31 de maio. Nesse período, a empresa intensifica campanhas de sensibilização, atendimentos nas unidades locais, ações itinerantes e parcerias com prefeituras e entidades rurais para garantir que o máximo de produtores regularize sua situação cadastral. “Com o cadastro atualizado, o estado fortalece sua capacidade de monitoramento, aumenta a eficácia da vigilância e agiliza as tomadas de decisão — um conjunto de práticas que se tornou indispensável desde a retirada da vacinação”, reforçou Aparecida.

Fórum Sergipano 

Na última semana, a Emdagro promoveu mais um Fórum Anual de Vigilância para a Febre Aftosa, reunindo produtores rurais, estudantes, técnicos, médicos-veterinários e representantes de instituições do setor. O encontro teve como objetivo debater desafios pós-retirada da vacinação, alinhar estratégias de defesa sanitária e fortalecer o compromisso coletivo com a manutenção do status livre sem vacinação alcançado em 2024. 

Participando do Fórum, o presidente do Conselho Regional de Medicina Veterinária, Urias Fagner Santos Nascimento, destacou a atuação dos profissionais de campo. “Manter o status depende da vigilância ativa, da notificação imediata e da capacidade de diferenciar doenças vesiculares. Veterinários e técnicos precisam seguir boas práticas, como a quarentena de animais recém-chegados, para evitar riscos de reintrodução da aftosa”, ressaltou. 

Também presente no fórum, o estudante de Medicina Veterinária da UFS, Lucas Faria de Holanda, ressaltou a importância do fórum para a formação dos futuros profissionais. “Com a retirada da vacinação, é essencial que estudantes estejam atualizados sobre técnicas de vigilância. Eventos como este aproximam a academia do campo e nos ajudam a compreender os desafios reais da defesa sanitária”, considerou. 

O fórum consolidou o entendimento de que Sergipe só avança porque construiu uma estrutura sólida de defesa, baseada em vigilância permanente, integração institucional e participação ativa dos produtores. A maturidade sanitária do estado é resultado de um esforço coletivo — e continua sendo o principal alicerce para manter o rebanho seguro e competitivo. 
 

Emdagro realiza Fórum Sergipano de Vigilância para a Febre Aftosa e reforça compromisso de Sergipe com o status sanitário livre sem vacinação

Evento reúne especialistas, produtores e estudantes para alinhar estratégias que garantam a manutenção de Sergipe como zona livre de febre aftosa sem vacinação

A Empresa de Desenvolvimento Agropecuário de Sergipe (Emdagro) realizou, nesta quarta-feira, 26, no auditório da sede central, em Aracaju, o Fórum Sergipano de Vigilância para a Febre Aftosa, um espaço de atualização técnica e diálogo voltado para produtores rurais, médicos-veterinários, técnicos, estudantes e profissionais da cadeia produtiva. O evento teve como objetivo fortalecer e integrar as ações de vigilância sanitária animal, promover a troca de experiências e alinhar estratégias que permitam manter Sergipe livre da doença sem vacinação — status reconhecido pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). 

A abertura do encontro foi conduzida pela diretora de Defesa Animal e Vegetal da Emdagro, Aparecida Andrade, que destacou o momento atual da defesa sanitária no estado. “Sergipe alcançou o status de livre sem vacinação graças a um esforço coletivo, construído com disciplina, responsabilidade e parceria. Agora, o desafio é ainda maior: manter esse reconhecimento. Esse fórum é um espaço para reforçar esse compromisso, discutir estratégias e ampliar a integração entre os atores da cadeia produtiva”, afirmou.

Avanços e desafios 

De acordo com a diretora, o estado vem consolidando, ano após ano, uma postura de maturidade sanitária. A retirada da vacinação exigiu mais rigor e novas rotinas de vigilância, envolvendo ações como fiscalização de trânsito animal com barreiras sanitárias, fortalecimento do cadastro de propriedades rurais, monitoramento clínico do rebanho por meio de visitas técnicas, inspeções em feiras e eventos, educação sanitária e resposta rápida a notificações suspeitas. Também foram reforçados os mecanismos de controle documental, como a emissão da Guia de Trânsito Animal (GTA), garantindo que apenas animais saudáveis circulam pelo território. 

A coordenadora de Defesa Animal e Vegetal da Emdagro, Lucyla Flor, ressaltou o papel essencial do produtor na manutenção dessas ações. “A defesa sanitária não acontece apenas no setor público; ela começa na propriedade. A atualização cadastral, o manejo responsável e a notificação imediata de qualquer suspeita são atitudes que sustentam o status sanitário. Trabalhamos para orientar, apoiar e acompanhar cada produtor nesse processo contínuo”, informou. 

De acordo com a Portaria nº 20/2024/Emdagro, a atualização cadastral dos rebanhos ocorre anualmente entre 1º de abril e 31 de maio. A ação é fundamental para garantir rastreabilidade, vigilância eficiente e tomada de decisão rápida. Em paralelo, a Emdagro intensifica campanhas de sensibilização, atendimentos nas unidades locais, ações itinerantes e parcerias com prefeituras e entidades rurais. 

Durante o fórum, representantes e participantes destacaram a relevância do encontro para o fortalecimento da defesa sanitária em Sergipe. O presidente do Conselho Regional de Medicina Veterinária de Sergipe (CRMV/SE), Urias Fagner Santos Nascimento, enfatizou o papel dos profissionais de campo: “Conquistar o status de zona livre sem vacinação foi resultado de um trabalho intenso entre Emdagro, Mapa e médicos-veterinários. Agora, nossa prioridade é manter a vigilância ativa nas propriedades, realizar diagnósticos de doenças vesiculares e garantir a notificação imediata de qualquer suspeita. As boas práticas sanitárias, como a quarentena de animais recém-chegados, são indispensáveis para evitar reintrodução da febre aftosa. A atuação dos profissionais de campo é peça-chave nesse processo”. 

O estudante de Medicina Veterinária da Universidade Federal de Sergipe (UFS) Lucas Faria de Holanda uavaliou o fórum como uma oportunidade de formação complementar. “Eventos como este ampliam nosso conhecimento sobre uma enfermidade que já impactou profundamente o Brasil. Com a retirada da vacinação obrigatória é essencial que nós, futuros profissionais, acompanhemos de perto essas atualizações. Isso fortalece nossa formação e contribui para práticas mais seguras e eficientes no campo”, afirmou. 

Para a equipe técnica da Emdagro, o Fórum Sergipano de Vigilância para a Febre Aftosa reforça a importância da integração entre produtores, técnicos, estudantes, órgãos públicos e entidades representativas. O ente público reforça que, a vigilância permanente, aliada à responsabilidade compartilhada, é o caminho para garantir que Sergipe mantenha o status sanitário conquistado e continue avançando na construção de uma pecuária mais forte, segura e competitiva.

Emdagro participa da 47ª Festa da Laranja com ações técnicas que impulsionam citricultura sergipana

Com programação ampla, instituição oferece capacitação e orientação a pequenos produtores

Mesa de abertura do evento Técnico Festa da Laranja de Boquim / Foto: Carlos Mariz

A Empresa de Desenvolvimento Agropecuário de Sergipe (Emdagro) participa da 47ª Festa da Laranja, realizada no município de Boquim, no sul sergipano, entre os dias 21 e 23 de novembro. A iniciativa foi retomada após 10 anos de interrupção e reúne feira, exposições, shows, competições esportivas e a Exposição e Feira Citrus.

Na manhã da última quarta-feira, 19, o Centro de Difusão de Tecnologias da Emdagro, em Boquim, sediou uma ampla programação técnica que antecede a festa. O secretário de Estado da Agricultura, Desenvolvimento Agrário e da Pesca, Zeca da Silva, destacou a atuação da empresa pública para apoiar e fortalecer a citricultura em Sergipe. Ele ressaltou ainda o impacto positivo da retomada da Festa da Laranja.

“Na Festa da Laranja, teremos excelentes artistas que vão trazer um público grande, mas a essência da festa maior está aqui: são os produtores, as palestras, é o ganho de conhecimento, a relação dos produtores com os técnicos da Emdagro, a relação com as empresas que beneficiam a laranja e participam aqui do evento. Todos esses relacionamentos e trocas de experiências representam resgate do sentimento de pertencimento da citricultura”, enfatizou.

O secretário ressaltou também as ações realizadas pelo Governo do Estado para impulsionar a citricultura em Sergipe. “O governador Fábio Mitidieri nos deu algumas diretrizes dentro da agricultura e pecuária para dar atenção e priorizar, como a citricultura. O programa Citricultura Sustentável, por exemplo, contempla toda a parte de distribuição de borbulhas, assistência técnica, Censo da Citricultura, controle sanitário e investimentos no CDT aqui, de Boquim. Já está autorizada pelo governador a recriação e ampliação das nossas estufas produtoras de mudas, para favorecer os pequenos, micro e pequenos produtores”, concluiu o secretário.

O presidente da Emdagro, Gilson dos Anjos, frisou a importância da presença da Emdagro no evento. “Há 10 anos que a festa da Laranja foi esquecida e, hoje, o governo Fábio Mitidieri volta a dar vida a ela. A Emdagro abre a programação reforçando o apoio à iniciativa com um conjunto de ações que têm como foco fortalecer a cadeia produtiva, atualizar conhecimentos dos agricultores e ampliar a adoção de boas práticas”, destacou.

A laranja é o principal produto da citricultura sergipana. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatistica (IBGE), publicados no Levantamento Sistemático da Produção Agrícola em 2025, Sergipe mantém-se como 5º maior produtor do país e 2º do Nordeste, com uma previsão de safra de 402.004 toneladas para este ano, representando crescimento de 6,2% em relação ao ano anterior. Também a Companhia Sensacional de Abastecimento constatou a região citrícola sergipana como a 2º maior fornecedora de laranja para as Ceasas brasileiras em 2025.

Para o prefeito de Boquim, Jackson Costa, a parceria com o Governo do Estado gera resultados positivos para os produtores e para o desenvolvimento local. “A gente precisa voltar a olhar para os desafios, buscar soluções e, principalmente, incentivar e motivar os pequenos produtores. Temos uma agricultura forte, uma terra potente, um clima que ajuda e, sobretudo, a garra dos nossos produtores. É com essa força que buscamos profissionalizar ainda mais o setor, oferecer mecanismos que fortaleçam a produção e movimentam a economia local”, ressaltou.

Programação da Emdagro

Realizada desde o início deste mês de novembro, a programação promovida pela Emdagro inclui atividades que abordam desde práticas sustentáveis até manejo fitossanitário e aprimoramento da produção de citros. A primeira ação, realizada no dia 5 de novembro, foi o recolhimento de embalagens de agrotóxicos, reforçando o compromisso ambiental e a importância do uso seguro de insumos.

Nos dias 17 e 18, a instituição promoveu o curso de Aplicador de Agrotóxicos, capacitando trabalhadores sobre segurança, legislação e técnicas atualizadas para aplicação correta dos produtos. Na mesma semana, ocorreu a oficina para elaboração e aplicação de biocarvão, calda bordalesa, água de vidro, emulsão de cinzas, farinha de osso, adubo bokashi e biofertilizantes, ampliando o repertório de tecnologias acessíveis e sustentáveis aos produtores.

Ainda no dia 18, a programação contou com a realização do curso sobre técnicas de coleta de folhas de citros para análise foliar. A capacitação aconteceu em uma propriedade rural do município, ressaltando a importância do diagnóstico nutricional adequado para a saúde dos pomares.

O agricultor familiar Domingos Alves dos Santos foi um dos contemplados pelas ações da Emdagro e avaliou como positiva a presença da empresa. “Eu vejo esse momento como algo muito importante, especialmente por trazer de volta conhecimentos que começam lá na implantação do pomar. A Festa da Laranja é também o momento de refletir sobre os erros do passado, para não repetirmos de novo. Por isso, hoje eu estou mudando um pouco. Continuo na citricultura, mas também estou plantando cacau. A diversificação deve ser encarada com seriedade para não cair nos mesmos erros que meu pai cometeu, por exemplo. Precisamos refletir para não repetir os erros do passado”, observou.

Oficina 

Também na programação da última quarta-feira, a equipe social da Emdagro conduziu a oficina de boas práticas na fabricação de doces e sabores de citrus, realizada na cozinha da instituição em Boquim. A atividade atraiu empreendedores, produtores e moradores interessados em agregar valor e diversificar a produção local. Nely Fernandes foi a técnica responsável pela qualificação. 

“Com essa oficina, a gente pretende reativar a utilização dos subprodutos da citricultura, como o limão galego, limão siciliano, laranja pêra e a tangerina mexerica. As pessoas participantes são um grupo que pretendemos trabalhar para que ele continue com a atividade, já que estamos demonstrando aqui como agregar valor ao produtos”, explicou.

Bolos, compotas, doces, geleias, sequilhos e licores são algumas das receitas que foram apresentadas durante a oficina. Para a agricultora Ana Paula Ribeiro, a oficina abriu seus horizontes . “Para mim, tem sido uma oportunidade maravilhosa participar dessa oficina, de aprender essa culinária, que é utilizar as nossas frutas cítricas de forma mais proveitosa, de fazer uma alimentação mais gostosa e de ter uma renda extra”, contou.

A programação técnica se encerrará na sexta-feira, 21, com a entrega dos certificados do curso de Aplicador de Agrotóxicos e a premiação de citricultores e viveiristas. Com um conjunto de ações práticas, educativas e estratégicas, o Governo do Estado, por meio da Secretaria Estado da Agricultura, Desenvolvimento Agrário e da Pesca (Seagri) e da Emdagro, reafirma seu papel como principal referência técnica da agricultura sergipana e fortalece a citricultura sergipana.

Empresa de Desenvolvimento Agropecuário de Sergipe abre processo seletivo para contratação de aprendizes

Oportunidade para jovens da rede pública de ensino alia formação profissional, experiência prática e inclusão no mercado de trabalho

Programa tem como foco a formação técnico-profissional metódica, assegurando que adolescentes e jovens tenham acesso a conhecimento teórico e prática supervisionada / Foto: Ascom/Emdagro

A Empresa de Desenvolvimento Agropecuário de Sergipe (Emdagro) publicou o Edital nº 001/2025 para contratação de aprendizes, reforçando seu compromisso com a formação da juventude e a preparação profissional de novos talentos da rede pública de ensino. A seleção atende ao Decreto Federal nº 11.061/22, que regulamenta a aprendizagem no Brasil, e às normas previstas na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). O edital está disponível no site da Emdagro (emdagro.se.gov.br).

O programa tem como foco a formação técnico-profissional metódica, assegurando que adolescentes e jovens tenham acesso a conhecimento teórico e prática supervisionada — um passo importante para ingressar no mercado formal de trabalho. As atividades práticas serão desenvolvidas na sede da Emdagro, no bairro Capucho, em Aracaju, sob acompanhamento da Coordenadoria de Recursos Humanos (CODRHU) da instituição.

Serão ofertadas 10 vagas para o turno da manhã. Os aprendizes terão vínculo empregatício com a empresa pública, com direito a salário, vale-transporte e todos os encargos trabalhistas e previdenciários previstos na legislação.

Inscrições

As inscrições acontecem de 19 a 30 de novembro de 2025, exclusivamente pela plataforma GO Sergipe (www.gosergipe.se.gov.br). Não há cobrança de taxa. Ao preencher o cadastro, o candidato deve informar corretamente o telefone e o e-mail, já que a ausência desses dados resulta em eliminação imediata. Serão pré-selecionados 50 cadastros, levando em conta o perfil exigido pelo edital. 

Quem pode participar

Para concorrer, o candidato precisa ter entre 15 e 20 anos; estar matriculado em escola pública estadual ou municipal; estar cursando do 8º ano do Ensino Fundamental à 2ª série do Ensino Médio e estudar obrigatoriamente no turno da tarde ou à noite.

A seleção começará com uma prova objetiva de Português, Geografia e História, marcada para o dia 9 de dezembro de 2025, no horário das 8h às 10h. A prova será aplicada na sede da Emdagro, localizada na avenida Dr. Carlos Rodrigues Cruz, s/nº, no bairro Capucho, em Aracaju.

Ações da Seagri e vinculadas marcam presença na 62ª edição do ‘Sergipe é aqui’

Município de Siriri recebeu diversos serviços públicos, entre eles o atendimento aos pequenos produtores rurais

O programa itinerante do governo do Estado, “Sergipe é aqui”, chegou ao município de Siriri, nesta sexta-feira, 14, em sua 62ª edição, na Escola Municipal Professora Maria Madalena dos Santos Silva. Localizada no leste sergipano, a cidade recebeu ações e serviços de todos os órgãos estaduais, da administração pública, entre eles a Secretaria de Estado da Agricultura, Desenvolvimento Agrário e da Pesca (Seagri) que, juntamente com suas vinculadas (Coderse, Emdagro e Pronese) realizou atendimentos e levou serviços para os pequenos produtores rurais da região.

Já durante a semana, a equipe técnica da Emdagro realizou um importante trabalho de vacinação do rebanho bovino no município, garantindo mais saúde e segurança no campo. Foram vacinadas 69 fêmeas bovinas contra a brucelose e 29 animais protegidos contra clostridiose. 

Luiz Eduardo Barros Santos foi um dos criadores beneficiados, que foi até o estande da Agricultura para receber o certificado de vacinação de seus animais. “Esse apoio da Emdagro é muito importante para nós, produtores rurais, não só por ofertar gratuitamente a vacinação e o profissional médico veterinário para aplicar, mas por garantir que nosso estado alcance o patamar de estado livre de doenças como a brucelose, clostridiose e a raiva, diferentemente de outros estados, que a gente sabe que não tem esse mesmo cuidado”, reforçou Luiz Eduardo que vacinou sete bezerras contra as três doenças.

Em Siriri, a cultura que mais se destaca é a cana-de-açúcar, com produção média de 65 mil toneladas, segundo dados do IBGE de 2024, seguida do milho, com 553 toneladas, e da mandioca, com 195 toneladas. Entre as criações, o destaque é para o rebanho bovino, com 8.750 cabeças de gado. 

No início do ano, o Governo do Estado distribuiu duas toneladas de sementes de milho, beneficiando 200 famílias de pequenos agricultores em Siriri, onde a Emdagro presta assistência técnica a 250 agricultores familiares.

Agricultores do município também estiveram no estande da Agricultura para receber o certificado do Cadastro de Agricultor Familiar (CAF), como foi o caso de José Augusto Maciel. “Vim receber esse importante documento para o pequeno agricultor, que é o CAF. Com ele, a gente tem vários benefícios: pode fazer financiamento para melhorar a roça e pode dar entrada no pedido de aposentadoria, por exemplo. Eu já estou aposentado, mas minha esposa se aposentou com esse documento”, contou.

Luciano Juvêncio dos Santos foi até o local para participar pessoalmente da entrega das amostras de solo, coletadas em sua propriedade, para análise pelo Instituto Tecnológico e de Pesquisas de Sergipe (ITPS). “Tive o prazer de receber a equipe da Emdagro para fazer minha análise do solo e vim entregar pessoalmente ao órgão que irá fazer a análise. Esse apoio da Emdagro é muito bom porque não teria condições de pagar. Com o resultado da análise, os técnicos já me disseram que voltarão para a minha propriedade para fazer as orientações necessárias, com base no que foi verificado nele”, relatou satisfeito. Ao todo, 30 propriedades em Siriri receberam a visita técnica da Emdagro, para a coleta de amostras de solo.

Já a dona de casa Maria Gilda Silva Xavier ficou feliz ao ser contemplada com uma muda de carambola para plantar em seu sítio. “Estou recém operada, mas não podia deixar de ver esse dia de festa em minha cidade. Estou muito satisfeita com todos esses serviços e ações promovidos pelo governador Fábio Mitidieri e ainda mais por ganhar um pé da fruta que tanto gosto e ainda não tinha em meu quintal”, destacou a aposentada que foi recebida pelo próprio governador. Na ocasião, foram distribuídas 60 mudas de árvores frutíferas, produzidas e certificadas pela Emdagro.
 

Atuação integrada do Governo de Sergipe fortalece agricultura e dá assistência aos pequenos produtores

Unidades que compõem a Secretaria de Estado da Agricultura trabalham de forma articulada para fomentar políticas públicas que impulsionam desenvolvimento no campo

Foto: Erick O’Hara

Uma das áreas mais importantes e que mais impulsionam a economia e geração de empregos em Sergipe, a agricultura tem um olhar especial de cuidado por parte do Governo do Estado. E, para que o trabalho aconteça mostrando resultados importantes, as ações da Secretaria de Estado da Agricultura, Desenvolvimento Agrário e da Pesca (Seagri) são desenvolvidas junto a empresas vinculadas que realizam a execução dos projetos nos quatro cantos de Sergipe.

A Seagri atua como órgão planejador, ao lado de três órgãos executores: Empresa de Desenvolvimento Agropecuário de Sergipe (Emdagro), Companhia de Desenvolvimento Regional de Sergipe (Coderse) e Empresa de Desenvolvimento Sustentável do Estado de Sergipe (Pronese). Cada uma atua em sua competência, mas todas de forma conjunta para fomentar políticas públicas ligadas à agricultura, especialmente ao pequeno produtor.

A Emdagro é uma empresa que atua na assistência técnica e extensão rural ao pequeno produtor e ao agricultor familiar, com engenheiros agrônomos, veterinários e agrícolas, além da pesquisa agropecuária, regularização fundiária e defesa sanitária animal, com fiscalização e inspeção de produtos e plantações, promovendo segurança alimentar. 

Neste sentido, o presidente da empresa, Gilson dos Anjos, avalia a Emdagro como uma “empresa completa”. “Digo com muita segurança que a Emdagro é uma empresa completa. Aqui, nós fazemos serviços fundamentais. Temos diversos profissionais, principalmente os engenheiros agrônomos, técnicos agrícolas e veterinários, mas, também, há, aqui, assistentes sociais, técnicos em economia doméstica. Não é apenas uma pequena assistência, mas, sim, todo um trabalho com acompanhamento”, afirmou.

Resultados significativos

Em dois anos e dez meses, com apoio do Governo do Estado, a Emdagro vem entregando resultados importantes. Foram mais de 500 toneladas de sementes de milho para o pequeno produtor, mais de 450 toneladas de semente de arroz na região do baixo São Francisco, mais de 650 mil raquetes de palma forrageira, mais de mil inseminações artificiais em bovinos, e cerca de 56 mil Cadastros de Agricultura Familiar (CAFs).

Para Gilson, o apoio da Emdagro tem sido essencial. “É perceptível que, quando um pequeno produtor abandonado, que não tem uma orientação sobre a sua produção, passa a receber a assistência da Emdagro começa a melhorar sua produtividade. Com isso, ele cresce social e economicamente. Nós não visamos lucro financeiro, mas, sim, o lucro social, em melhorar a vida do pequeno produtor rural”, enfatizou.

Junto a isso, há o trabalho da Coderse, que abarcou, em 2023, os serviços da antiga Companhia de Desenvolvimento de Recursos Hídricos e Irrigação (Cohidro) e atua, especialmente, na gestão dos perímetros irrigados. Atualmente, são seis espalhados pelo estado, onde o Governo de Sergipe conduz o funcionamento do sistema de abastecimento de água bruta para irrigação, gerando emprego e renda no campo, garantindo a permanência do trabalhador na zona rural e criando condições de trabalho.

O presidente da companhia, Paulo Sobral, explica como é feito o trabalho. “Você trabalha com dois pólos imprescindíveis para a manutenção da vida: água e alimento. Entendo a Coderse como uma empresa fantástica porque ela gera vida, estimula a produção de alimento, é responsável pela gestão e produção dos alimentos nos perímetros irrigados. A cesta básica de Sergipe, se você observar, já há alguns anos é a mais barata do Nordeste, e acreditamos que isso se dá, também, pelas ações dos perímetros irrigados. O Governo do Estado tem na Coderse uma empresa com um papel fundamental para a manutenção do homem no campo”, pontuou.

Além disso, a nova perspectiva da Coderse trabalha com mais ênfase na parte de saneamento rural, calçamento, e funções como gestão de emendas parlamentares para transferência de recursos, aquisições de equipamentos que seriam destinados a associações de produtores e municípios, entre outros. Um processo burocrático, mas importante para o desenvolvimento do campo. “É uma parte bastante burocrática. A Coderse, assim, ampliou seus trabalhos, mantendo o que era relativo à antiga Cohidro e se tornando uma companhia de desenvolvimento regional. Essa foi uma ideia do governador, com a perspectiva de captação de recursos e de implementar ações antigas da Cohidro, junto às novas”, acrescentou Paulo Sobral.

Articulação

Já a Pronese tem como objetivo articular políticas públicas, sobretudo para as populações mais vulneráveis, atuando na busca do fomento, financiamento e convênios com organizações como o Banco Mundial e o Fundo das Nações Unidas para a Agricultura (FNDA). 

Desta forma, ela se destaca como a empresa que vai até as comunidades mais vulneráveis do estado, levando muitas vezes pavimentação, energia elétrica, melhorias habitacionais e hídricas, mas sempre decidido em conjunto com o Conselho Municipal de Desenvolvimento Rural Sustentável, como observa o presidente Adinaldo do Nascimento. “Ela é a empresa que trabalha ativamente com as comunidades na busca, sobretudo, das ações de infraestrutura e qualidade na produção de forma sustentável, fazendo um círculo virtuoso e que o desenvolvimento chegue até as comunidades mais vulneráveis do estado”, complementou.

Por meio de ações como o Programa Nacional de Crédito Fundiário, que assenta famílias com financiamento e apoio do Estado na aquisição de imóveis, e a captação de R$ 150 milhões em recursos para combate à seca, a Pronese atua diretamente nas demandas locais, ouvindo as associações e definindo as prioridades. “Esse trabalho é mais direto de entender a realidade local e já atacar diretamente aquela demanda, ouvindo sempre as associações dessas comunidades, o Conselho Municipal de Desenvolvimento Rural Sustentável, tomando a decisão em conjunto e definindo as prioridades com o conselho e as associações, a serem desenvolvidas naquela comunidade”, acrescentou Adinaldo.

Trabalho em conjunto

Cada uma das empresas vinculadas trabalha com suas competências, mas todas atuam de forma conjunta para abranger as demandas da agricultura de forma plena, lideradas pela Seagri. Segundo o secretário de Estado da Agricultura, Zeca da Silva, essas ações se dão com a liderança do governador Fábio Mitidieri, fazendo com que os resultados sejam alcançados. “Formalmente, a Seagri é como uma empresa mãe. As ações pela promoção da agricultura, pecuária e pesca no estado de Sergipe partem daqui, e essas empresas são os braços operacionais das políticas públicas desenvolvidas. As pessoas que estão nas direções compartilham conosco um pensamento muito parecido, o que traz bons resultados. O governador Fábio Mitidieri nos dá o rumo e nos orienta, para que possamos fazer essa união entre a Seagri e as empresas, desempenhando seus papéis”, pontuou.

O volume de investimentos caminha lado a lado com tais iniciativas. Entre elas, o secretário Zeca destaca a Adutora do Leite, que será executada pela Coderse; e o Programa Sertão Vivo, por meio da Pronese. Somados, eles geram um investimento de R$ 600 milhões. “Nunca em sua história a Seagri teve um volume de investimentos tão grande quanto no atual governo. Com o Sertão Vivo e a Adutora do Leite, a gente vai, de acordo com os nossos técnicos, triplicar em 10 anos a produção do leite no estado de Sergipe. É um olhar estratégico que a Seagri tem, e todas as outras empresas estão envolvidas. O Pronese por conta do Sertão Vivo; a Emdagro com melhoramento genético, cuidado com os animais; e a Coderse com a Adutora do Leite. O agro é uma rede, e isso é uma determinação do governador”, completou. 
 

Governo do Estado incentiva a diversificação de culturas agrícolas na irrigação pública

Com oferta de água durante todo ano, Coderse dinamiza atividade rural em seus perímetros

Aumentar o número de espécies e variedades frutíferas, e ampliar a área produtiva com o uso da irrigação localizada.  A partir do incentivo do Governo do Estado, essa foi a forma que o agricultor Valmir de Oliveira encontrou para diversificar a produção do seu lote, no Assentamento Marcelo Déda, e que também está inserindo no Perímetro Irrigado Jacarecica II, em Malhador, agreste central sergipano. Com as mudanças, o irrigante busca produzir por um período maior do ano, de olho no mercado e menos dependente de mão de obra extra.

Colaboraram com as mudanças que estão sendo feitas no lote de Valmir, o fornecimento de água permanente a assistência técnica da Companhia de Desenvolvimento Regional de Sergipe (Coderse), vinculada à Secretaria de Estado da Agricultura, Desenvolvimento Agrário e da Pesca (Seagri) e que administra o Jacarecica II. Ele iniciou a ampliação da área irrigada, com novos pomares, mas precisou do apoio da empresa pública para completar os equipamentos necessários, como mangueiras e microaspersores.

“Estou trabalhando na busca de alternativas. No passado, tivemos até 2.250 pés da acerola ‘sertaneja’. Hoje a gente reduziu essa quantidade. Mas entramos com as variedades de acerola ‘okinawa’, que é de período frio, como também a variedade ‘junco’. Colocamos, abacate, sapota, goiaba, cana, coco e estamos pensando em diversificar mais ainda. Porque aí tem mercado, esporadicamente, durante todo o ano. Eu não tinha ainda o equipamento para a irrigação, não tinha o recurso, em épocas difíceis. E graças a Deus a Coderse liberou o material para pôr irrigação em outras partes aqui do sítio. Só foi possível ter essa diversidade por conta da irrigação”, pontuou o agricultor Valmir.

Coordenador Operacional na Diretoria de Irrigação da Coderse (Cope/Dirir), Roberto Marques Santos conta que, a partir das visitas de campo que faz no Jacarecica II, tanto soube da condição de Valmir de Oliveira como também foi motivado a ajudá-lo por outros irrigantes. “O senhor Valmir regava as frutas com um regador manual e aquilo ali me chamou a atenção. O nosso diretor (de irrigação, Júlio Leite) me colocou como prioridade que viesse até o lote e identificasse as necessidades dele para que pudesse melhorar a irrigação. À água, ele tinha acesso. Então Coderse ainda cedeu a ele todos os equipamentos necessários para ele fazer a irrigação de microaspeção, que é mais econômica e permite irrigar uma área maior”.

Diversificação

A acerola é originária das américas do sul e central, do clima tropical. Mas a variedade ‘okinawa’ é batizada com o nome da província japonesa onde foi desenvolvida e por isso, se adapta e produz em período frio do inverno sergipano. Com isso, Valmir de Oliveira tem agora um período maior com oferta do produto ao mercado. Tanto a ‘okinawa’ como a ‘junco’, também produzem frutos maiores, o que facilita a colheita. “É muito difícil hoje você encontrar a mão de obra para fazer a colheita de acerola. Tivemos algumas perdas e resolvemos começar a mudar para frutos maiores, que tem uma ‘cata’ mais rápida. Nisso se inclui o abacate, a sapota, entre outros que ainda virão”, avisa o agricultor.

Diretor de Irrigação da Coderse, Júlio Leite afirma que em todos os perímetros irrigados estaduais, um dos papeis da assistência técnica agrícola é incentivar a adoção de alternativas à monocultura, ou seja, que o irrigante não trabalhe só  com um tipo de cultivo. “Basta uma praga, uma doença, o mercado fazer o preço daquele produto despencar — ou  a debandada de mão de obra, que foi o caso do senhor Valmir — para que a atividade econômica daquele agricultor entre em dificuldades. Isso vale para a acerola, para o quiabo e outras culturas que atraem mais o produtor, por conta do bom preço de venda”, analisa. 

Filho de Valmir de Oliveira, Marcos Vinícius Freitas trabalha com o pai no lote no perímetro Jacarecica II. Ele exemplifica a dinâmica, de produzir e colher durante todo ano, que perímetros irrigados oferecem aos seus beneficiados. “Quando está em uma época de verão, geralmente a gente colhe a acerola ‘sertaneja’. Quando chega na época do inverno, já vai mudando, porque a sertaneja não produz com muita chuva. Aí troca para a acerola ‘okinawa’, entre outras: goiaba, a sapota, os cocos, os abacates que tem agora. E a gente vai fazendo essa diversificação, para se manter no mercado”, conclui agricultor.

‘Sergipe é aqui’ chega a Cristinápolis com serviços e resultados para o campo

Ação leva serviços, cidadania e desenvolvimento para mais perto da população sergipana

O município de Cristinápolis, no sul de Sergipe, recebeu, nesta sexta-feira, 7, a 61ª edição do governo Itinerante ‘Sergipe é aqui’ — iniciativa que leva toda a estrutura administrativa do Estado para perto da população, ofertando mais de 160 serviços em um só dia. Desta vez, a ação ganhou um sabor especial: aconteceu em Cristinápolis, o maior produtor de laranja de Sergipe, com média de 53 mil toneladas anuais, segundo dados do IBGE de 2024. Além da citricultura, o município se destaca, também, na pecuária, com 16.849 cabeças de gado.

Entre os órgãos presentes, a Secretaria de Estado da Agricultura, Desenvolvimento Agrário e da Pesca (Seagri) marcou presença com suas vinculadas Coderse e Emdagro, levando uma série de ações e atendimentos voltados à agricultura familiar. Durante o evento, a Emdagro realizou entregas de títulos de propriedade rural, certificados de vacinação contra a brucelose, análises e resultados de solo, além da distribuição de mudas frutíferas. Foram 60 mudas entregues, 37 amostras de solo coletadas e enviadas ao Instituto Tecnológico e de Pesquisas de Sergipe (ITPS), 13 produtores atendidos com resultados de análises de solo e 15 produtores certificados pela vacinação de 114 animais contra a brucelose. Além disso, 20 títulos de posse foram oficialmente entregues aos novos proprietários.

Um desses beneficiários foi o agricultor José Narciso de Jesus Santos, que recebeu seu título de posse com emoção. “Esse papel tem muito valor. Agora, posso fazer um empréstimo, melhorar minha propriedade e garantir que meus filhos tenham um futuro seguro. A terra com documento tem outro peso, é uma porta aberta pra muita coisa boa”, comemorou com o título nas mãos.

Entre os que buscaram serviços de Defesa Animal, a produtora Regina Lúcia Alves dos Santos, do assentamento Luiz Alberto I, celebrou a chegada do seu certificado de vacinação contra a brucelose. Antes da entrega, técnicos do escritório local da Emdagro estiveram em sua propriedade e imunizaram oito bezerras. “Fico muito feliz porque esse trabalho ajuda demais a gente que é pequeno produtor. Às vezes, não temos condições de pagar vacina e veterinário, e a Emdagro vem aqui, faz tudo certinho. Manter os animais saudáveis é importante para todo mundo, tanto para quem cria quanto para quem consome”, afirmou..

O agricultor Givaldo de Jesus Santos, da comunidade Taquari, esteve no estande da Emdagro para receber o laudo da análise do solo de sua propriedade. As amostras haviam sido coletadas ao longo do mês. Para ele, o serviço representa mais que um dado técnico — é orientação para garantir produtividade e sustentabilidade. “Com o laudo na mão, a gente sabe o que está faltando na terra e o que pode melhorar. A Emdagro dá esse suporte e evita que a gente gaste sem necessidade. Isso faz toda diferença pra quem depende da roça pra viver”, destacou.

Já o casal José Eduardo de Aquino e Elisa Nunes Santos de Aquino também passou pelo estande da Emdagro. José Eduardo recebeu o título de posse da propriedade da família, enquanto Elisa aproveitou para participar da distribuição de mudas frutíferas. “Peguei uma muda de cacau. Nunca trabalhei com essa cultura, mas estou cheia de expectativa. Quero diversificar a produção e aprender mais. Acho que é assim que a gente cresce no campo”, contou Elisa, entusiasmada.

Parceria pela sustentabilidade

Durante o ‘Sergipe é aqui’ em Cristinápolis, Emdagro e Adema também articularam um treinamento para técnicos da Emdagro, que acontecerá no próximo dia 10 de novembro. O curso abordará o Cadastro Ambiental Rural (CAR) e o Censo Citrícola, e é fruto do contrato de parceria firmado nesta semana entre os dois órgãos.

Segundo o diretor de Assistência Técnica, Extensão Rural e Pesquisa da Emdagro, Jean Carlos Nascimento, a iniciativa reforça o compromisso da empresa com o desenvolvimento sustentável. “A parceria com a Adema é um passo importante para aprimorar o cadastro ambiental e apoiar o censo da citricultura. Isso vai fortalecer a base de dados e dar mais eficiência às políticas públicas voltadas ao campo e ajudar o pequeno na regularização do seu CAR”, explicou..

Coderse em Cristinápolis

Com ações práticas, resultados concretos e histórias reais de transformação, o ‘Sergipe é aqui’ segue consolidando o compromisso do Governo do Estado em levar serviços, cidadania e desenvolvimento até onde o povo está — especialmente ao homem e à mulher do campo. A Coderse participou da ação oferecendo serviços e atendendo a população em demandas de implantação e manutenção de infraestrutura hídrica, a partir de poços. Desde 2023, comunidades rurais do município receberam ações de perfuração, limpeza e instalação de poços, beneficiando mais de 300 famílias a partir de um investimento de R$ 75 mil. Ao todo, a Coderse perfurou 21 poços em Cristinápolis.

Exemplifica o trabalho feito pelo Governo do Estado, em levar ‘água no campo’, a maquete de uma unidade do Programa Água Doce, que sempre é mostrada e explicada à população durante o programa de governo itinerante. Sergipe possui 32 desses sistemas de dessalinização de água em poços, em municípios do semiárido e comunidades longe das redes convencionais de abastecimento. Três dessas unidades foram implantadas por meio da Coderse, em 2025 e, agora, são oito mil sergipanos atendidos com água potável do programa.

Governo

Última atualização: 11 de novembro de 2025 10:35.

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