Técnica sustentável de adubação é prática antiga, que perdeu um pouco do espaço com o uso massivo de fertilizantes químicos, mas continua sendo utilizada com sucesso por agricultores em São Cristóvão

O uso da compostagem na agricultura familiar ainda é uma prática bem presente em propriedades rurais de Sergipe, principalmente na produção de itens orgânicos. A técnica, que consiste na reutilização de materiais orgânicos descartados na natureza, serve para produzir adubo rico em nutrientes para o solo para ser usado em áreas de monocultivo de coqueiro, em pequenas hortas de fundo de quintal e em plantações orgânicas. Além disso, o material tem a vantagem de não ser prejudicial para a vida humana.
O agricultor José Renilson Barros, conhecido como Dedé da Verdura, do Povoado Candeal, no município de São Cristóvão, é produtor de orgânicos e utiliza a compostagem em toda a sua plantação. “Há mais de 15 anos trabalho com essa prática na produção de minhas hortaliças, legumes e tubérculos, tudo de forma saudável e certificada”, disse José Renilson, ao destacar que 90% da adubação é feita com coisas que tem no próprio terreno. “Assim, a gente protege o meio ambiente e produz um alimento mais saudável”, ressaltou.
Segundo ele, a compostagem é feita 100% manual e requer paciência, por ser uma técnica demorada. “Além disso, temos muita dificuldade em conseguir mão-de-obra, para trabalhar no preparo, mas não há outro caminho a não ser esse para produzirmos um alimento de qualidade”, afirmou.
Também em São Cristóvão, o agricultor José Anastácio do Nascimento faz uso da prática no Povoado Rita Cacete, onde planta orgânicos que comercializa em feiras livres e também para a merenda escolar do município. Major, como é chamado na região, tem vasta experiência como agricultor familiar e iniciou na produção de orgânicos ainda com seu pai, na década de 80.
“Somente com o uso da compostagem conseguimos produzir itens saudáveis e de procedência”, destacou José Anastácio, ao observar que realiza esse trabalho com apoio da Empresa de Desenvolvimento Agropecuário de Sergipe (Emdagro), responsável por prestar assistência técnica aos agricultores sergipanos.
De acordo com o engenheiro agrônomo e assessor técnico em Agroecologia na Emdagro, Lucas Travassos Deda, a técnica da compostagem é uma prática muito antiga, que perdeu um pouco do espaço na agricultura, com o uso massivo de fertilizantes químicos. “Atualmente, muitos agricultores preferem adquirir um produto pronto, em vez de dominar o conhecimento e o processo de produção desse insumo dentro da própria propriedade. Além disso, a redução da mão de obra no campo também contribuiu para diminuir o interesse por práticas que exigem conhecimento técnico específico e maior dedicação na sua execução”, disse.
Como é feita a compostagem
Lucas Travassos explica que, para realizar a compostagem, inicialmente, são utilizados materiais mais lignificados (duros), como folhas e galhos, que possuem baixa disponibilidade de nutrientes para as plantas, mas quando misturados a fontes mais ricas em nitrogênio, como esterco de gado, de aves ou de ovinos, ocorre a intensa atuação dos microrganismos responsáveis pela decomposição.
“Pesquisas recentes têm demonstrado que o aproveitamento da palhada do coqueiro, quando cortada e acumulada ao redor das plantas, favorece um processo natural de compostagem, promovendo a formação de matéria orgânica de qualidade e aumentando a eficiência no aproveitamento desse resíduo”, destacou.
Ao final desse processo, obtém-se um composto bioestabilizado, ou seja, um material com grande capacidade de permanência no solo, contribuindo para o aumento da matéria orgânica e da fertilidade. “Além disso, esse composto promove a liberação lenta e contínua de nutrientes, melhora as características físicas, químicas e biológicas do solo e favorece um ambiente mais equilibrado para o desenvolvimento das plantas”, pontuou, ao destacar o trabalho realizado no Centro de Difusão de Tecnologia da Emdagro, em Itabaiana.
O projeto intitulado ‘A Casa da Agroecologia em Sergipe’ prevê a implantação de vitrines de tecnologias alternativas, voltadas à agricultura familiar, especialmente na área de bioinsumos. “Nesse contexto, a compostagem é uma das vitrines implantadas no Centro de Difusão de Tecnologia (CDT) da Emdagro de Itabaiana. Atualmente, desenvolvemos três processos distintos: a compostagem em leiras aeróbias, a vermicompostagem, que utiliza anelídeos, como a minhoca-africana, para a produção de húmus, e a gongo compostagem, que utiliza um diplópode, popularmente conhecido como gongolo ou piolho-de-cobra, também para a produção de húmus”, explicou o engenheiro agrônomo.
Ainda segundo ele, as vitrines funcionam como unidades permanentes de demonstração tecnológica, onde agricultores, estudantes e técnicos podem conhecer as práticas, trocar experiências e aprender, na prática, como implantar e conduzir cada uma dessas tecnologias em suas propriedades.
Os agricultores interessados podem obter mais informações sobre como fazer o processo de compostagem no CDT da Emdagro de Itabaiana, que fica localizado no Povoado Agrovila, Perímetro Irrigado Jacarecica I e funciona de segunda a sexta-feira, das 7h às 17h.













































































