Publicado: 13 de janeiro de 2022, 11:57

Carcinicultura é opção de renda viável para produtores de São Cristóvão


Os produtores de São Cristóvão têm um diferencial por serem os únicos beneficiários do programa de crédito fundiário que trabalham com a criação de camarão

A produção de camarão em viveiro tem sido uma opção rentável para agricultores familiares do município de São Cristóvão, na região da grande Aracaju. Graças ao Programa Nacional de Crédito Fundiário (PNFC), atualmente denominado Terra Brasil, são oferecidas condições especiais para que agricultores sem acesso à terra ou com pouca terra possam comprar imóvel rural por meio de um financiamento de crédito rural e nessas propriedades investirem em atividades agrícolas, a exemplo da carcinicultura. Em Sergipe, o programa é executado pelo Governo do Estado, por meio da Secretaria da Agricultura, do Desenvolvimento Agrário e da Pesca (Seagri), em parceria com o Governo Federal.

Um dos beneficiários do programa, Francisco das Chagas Campos, produz camarão no povoado Colônia, Assentamento Novo Horizonte, na propriedade adquirida pelo seu filho Everton Galvão, falecido há quatro anos. Militar aposentado, o produtor complementa sua renda mensal com a carcinicultura, além de gerar oportunidade de emprego para outras cinco famílias, com a contratação de mão de obra para a manutenção do tanque e na despesca do camarão. “Precisei assumir o negócio deixado por meu filho e hoje vejo como opção muito rentável, pois em cada ciclo de 75 dias tiro de 500 a mil quilos de camarão, pesando em média de 12 a 14 gramas, a unidade”, disse ao destacar que os mais graúdos consegue vender por R$ 24, o quilo.

Implantado no município há pouco mais de 10 anos, nas propriedades Novo Horizonte, Bom Jesus e São Francisco o programa beneficia 39 famílias. “Os produtores de São Cristóvão tem um diferencial por serem os únicos beneficiários desse programa público de acesso à terra em Sergipe que trabalham com a carcinicultura”, observou o coordenador da Unidade Técnica do Crédito Fundiário, José Carlos de Jesus, ao destacar que somente no Assentamento Novo Horizonte 23 famílias são atendidas pelo programa. Segundo ele, nessa região as terras se apresentavam inóspitas, sem boa produtividade para o cultivo de culturas agrícolas, devido a influência da água salobra e os produtores apostaram na carcinicultura como opção mais rentável.

Para Ademir da Silva, que também é produtor na região, quem aderiu à produção de camarão se deu muito bem. “Quem cultiva camarão hoje em dia conseguiu melhorar de vida, comprar seu carrinho, trocar a mobília de sua casa, dar uma condição de vida melhor para sua família”, destacou o agricultor que se dedica ao plantio de mandioca, macaxeira e coco no Assentamento Rita Cacete, também localizado na área rural de São Cristóvão. O município desponta como terceiro maior produtor de camarão no Estado, ficando atrás somente dos municípios de Brejo Grande e Nossa Senhora do Socorro, nessa ordem, de acordo com dados apresentados pelo Perfil da Pecuária Sergipana 2020, do Observatório de Sergipe.

Crédito Fundiário

Além da terra, os recursos financiados pelo programa Crédito Fundiário/Terra Brasil podem ser utilizados na estruturação da propriedade, do projeto produtivo e na contratação de Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater), gerando oportunidade, autonomia e fortalecimento da agricultura familiar. O Estado atua fazendo toda a parte técnica do programa e auxilia os grupos de agricultores na aquisição das terras que são financiadas pelo Banco do Nordeste pelo período de 25 anos.

Para o secretário de Estado da Agricultura, Zeca da Silva, esse é um trabalho muito exitoso para a agricultura familiar, feito em todo o país em parceria com o Governo Federal. “Em Sergipe foram mais de 28 mil hectares de terra adquiridos através do programa de Crédito Fundiário/Terra Brasil para atender 2.318 famílias de produtores, nos 74 municípios sergipanos, o que representou um investimento de R$ 84 milhões”, pontuou.


Atualizado: 13 de janeiro de 2022, 11:57
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