Publicado: 20 de abril de 2018, 15:53

Conselho Estadual do Meio Ambiente aprova resolução que regulamenta pequenas queijarias


“É um marco para a gestão do Governo e para todos aqueles que acreditam na agricultura familiar”, frisou Rose Rodrigues.

Um dia histórico para a cadeia produtiva de queijo do Sertão sergipano. Assim pode ser sintetizado o desfecho da reunião extraordinária do Conselho Estadual do Meio Ambiente, que aprovou na manhã desta sexta-feira, 20, a resolução que regulamenta cerca de 150 queijarias artesanais da bacia leiteira sertaneja, que agora deixam a clandestinidade e passam a ter o famigerado selo de qualidade.

A resolução aprovada hoje é o coroamento do trabalho desenvolvido nos últimos meses pelo Conselho, o qual é presido pelo secretário de Estado do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos (Semarh), Olivier Chagas, com interveniência de diversos órgãos, a exemplo da Administração Estadual do Meio Ambiente (Adema), da Secretaria de Estado da Agricultura (Seagri) e da Empresa de Desenvolvimento Agropecuário de Sergipe (Emdagro).

Foi justamente com a somação de esforços desses órgãos que se chegou a um denominador comum: as queijarias artesanais constituem um dos negócios mais importantes da agricultura familiar no Sertão e merecem um tratamento diferenciado. Antes, essas pequenas fabriquetas recebiam diversas notificações do Ministério Público e da Adema sobre questões ambientais e sanitárias, a exemplo da destinação dos soros, material poluidor quando entra em contato com o solo e que, agora, deverá ser utilizado para consumo animal.

“Foi histórico aprovar essa resolução que simplifica o processo de licenciamento de quem produz queijo no Sertão. A gente sabe que há uma gama muito grande de pessoas que fazem a produção por meio de sua economia familiar e isso é um avanço significativo”, destacou Olivier Chagas.

Na prática, explica o gestor da Semarh, a resolução vai funcionar da seguinte forma: o produtor vai atender aos requisitos de um procedimento simplificado e terá o seu queijo atendendo aos padrões legais, para que se possa fazer sua comercialização com certificado de qualidade. “Muitos desses queijeiros têm dificuldade para fazer a venda de seu queijo a uma grande empresa, a uma rede de supermercado, porque estavam trabalhando na clandestinidade. Agora, vai ter uma regulamentação legal que lhe dará amparo dentro da lei”.

Entusiastas

Uma das entusiastas desse processo, a gestora da Seagri, Rose Rodrigues, disse que a regulamentação vai ficar marcada na história do conselho. “Com essa legislação simplificada, o pequeno produtor vai realizar sua atividade comercial de forma aberta e legalizada. Isso é o resultado de uma somação de esforços, da Semarh, Emdagro, Seagri e Adema, que construíram essa proposta, que obedece à legislação vigente do Conselho Nacional do Meio Ambiente, atendendo com um olhar diferenciado os donos de pequenas queijarias. É um marco para a gestão do Governo e para todos aqueles que acreditam na agricultura familiar”, frisou.

Opinião semelhante tem o presidente da Adema, Francisco Dantas. “Estou duplamente feliz. Primeiro porque essa resolução foi aprovada enquanto sou presidente desse órgão; segundo porque eu sou filho do Sertão, e conheço aquela região. Estou extremamente feliz em participar desse dia”, destacou.

O deputado estadual Jairo de Glória também participou da solenidade. Segundo ele, a resolução merece aplausos. “É uma alegria ver o engajamento desses órgãos nessa questão. Nós, do Sertão, fabricamos o melhor queijo do Nordeste e essa boa nova será recebida com festa pelos queijeiros do nosso Estado. Parabéns a todos os envolvidos”, disse.

Arivaldo Barreto, produtor de queijo em Poço Verde, classificou a iniciativa como essencial. “A importância maior dessa resolução é que a gente começa a trazer para as indústrias de queijo de pequeno porte, uma necessidade e uma obrigação dentro do suporte de impacto ambiental que ela gera. Ou seja, uma indústria grande tem que ter todas as regulamentações obrigatórias e as pequenas devem seguir o mesmo molde, no entanto, dentro da capacidade e o potencial dela de gerar dejetos. É tratar o queijeiro de pequeno porte, até dois mil litros, dentro desse impacto ambiental que ele gera”, comentou.

O secretário de Agricultura de Glória, Dijalci Aragão, também comemorou. “Isso foi uma luta de dez anos. O Alto Sertão sai daqui hoje trilhando novos caminhos. Vamos criar um selo de qualidade para o nosso queijo para ser vendido em todo o Brasil, como acontece com o Queijo Minas”, vislumbrou.

Fonte: Ascom Semarh

Fotos: Lucas Noronha/Semarh


Atualizado: 20 de abril de 2018, 15:53
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