Gestores estaduais da Agricultura conhecem experiências do Instituto Nacional do Semiárido

Seagri planeja ampliar parceria com INSA para replicar projetos exitosos em Sergipe

Com objetivo de conhecer as iniciativas de pesquisa-ação do Instituto Nacional do Semiárido (INSA) para intervenção na realidade da agricultura familiar do Nordeste, secretários da Agricultura e assessores de diversos estados participaram do dia de campo na estação experimental da instituição, localizada em Campina Grande, Paraíba. O secretário André Bomfim (Seagri/SE) participou da programação e deixou indicativos de cooperação para replicar ações do INSA em Sergipe.

De acordo com o assessor técnico do Instituto, Aldrin Martin Perez-Marin, a realização do Dia de Campo no Instituto foi uma iniciativa do 15º Fórum dos Gestores responsáveis pelas políticas de apoio à Agricultura Familiar do Nordeste, realizado em Natal, no último mês de junho. “Foram apresentadas experiências como práticas de combate à degradação da terra e combate à desertificação; inovações tecnológicas sobre reuso de água – visando à produção de alimentos no âmbito familiar e periurbano; modelo de produção agro florestal; e conhecimentos de produção de lavouras consorciadas como estratégia de segurança alimentar com forrageiras e energéticas”, detalhou.

Também foram abordadas questões relativas ao sistema de produção animal no campo de caprinos, ovinos e bovinos, bem como a busca de forrageiras nativas com potencial de criação; e, também experiências relacionadas com espécies florestais da caatinga como estratégia de recuperação de paisagem e serviço ecossistêmico do semiárido. “Pudemos apresentar , ainda,  toda a estrutura laboratório do Instituto no campo da biotecnologia, no campo da genética, da análise da qualidade da água, análise de resíduos de agrotóxicos e análise de transgenia de sementes crioulas”, disse Aldrin.

Segundo o secretário da Agricultura de Sergipe, André Bomfim, Sergipe tem grande interesse em conhecer a experiência de plantio de forrageira consorciado com outros cultivos, e apresentou investimentos e parcerias firmadas nesse sentido. “O Estado de Sergipe investiu R$ 1 milhão na compra e distribuição de sementes de palma forrageira da variedade Orelha de Elefante Mexicana como suporte alimentar para a cadeia produtiva do leite. Estamos fazendo tratativas com a Embrapa Semiárido no sentido de introduzir o plantio consorciado com a Gliricídia, mas tenho certeza de que poderemos incluir o INSA nessa parceria e ampliar ainda mais este importante setor produtivo”, disse André.

Sobre o cultivo de forrageira, a pesquisadora do INSA, Jucilene Araújo, apresentou uma produção de 17.400/ano de raquetes de palma por hectare. “A palma é a base alimentar e hídrica do rebanho do semiárido, serve para recuperação de áreas degradadas e apostamos no fornecimento de nitrogênio biológico para o solo. Usamos muitas variedades de palmas e também consórcios diversificados com gliricídia, girassol e milho, por exemplo”, afirmou Jucilene.

Fertirrigação

Outra experiência que chamou a atenção da Agricultura de Sergipe foi a experiência de reuso da água para fertirrigação. A experiência de inovação tecnológica apresentada pelos pesquisadores Rodrigo Barbosa e Marcelo Cunha demonstra que, com pouco investimento (em torno de R$ 3 mil), é possível implementar o uso de “Reator UASB” no tratamento de esgoto por meio de microrganismos anaeróbios, com capacidade de tratamento 1.400 litros por semana. Pesquisadores do instituto disseram que plantios com aplicação desse sistema natural de fertirrigação têm melhor produtividade em comparação ao uso da água tratada.

O INSA tem experiência de implantação desse sistema de tratamento para populações superiores a 100 habitantes a um custo entre R$ 9 a R$ 10 mil. Para o secretário da Agricultura de Sergipe, uma experiência como esta poderia ser apoiada por emenda parlamentar, no sentido de resolver problemas de irrigação em áreas com vulnerabilidade hídrica. André Bomfim apontou, ainda, perspectivas no sentido de ampliar assistência do Instituto. “Devemos assinar, na próxima reunião do Fórum, um termo de cooperação técnica com o INSA abrangendo todos os Estados do Nordeste, visando concretizar as experiências em campo, inclusive com possibilidade de re-vegetação da caatinga, contribuindo com esse essencial bioma”.

O secretário de Agricultura Familiar e Desenvolvimento do Semiárido da Paraíba, Luis Couto, avaliou a iniciativa do Fórum de Gestores positiva, considerando que o INSA tem produzido pesquisas que contribuem para a convivência com a semiaridez. “O Instituto Nacional do Semiárido é de todo o Nordeste brasileiro, precisamos continuar dando as condições para que ele possa continuar contribuindo com o desenvolvimento da agricultura familiar”, completou.

Os desdobramentos e avaliação do dia de campo no Instituto Nacional do Semiárido serão apresentados no 16º encontro do Fórum de Gestores da Agricultura Familiar no Nordeste, que será realizado em novembro deste ano.

Governo

Última atualização: 4 de setembro de 2019 13:32.

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