Publicado: 29 de novembro de 2021, 12:37

Produtores estão otimistas com produção de cacau em Sergipe


Hoje temos cerca de 12 produtores em quatro municípios do sul sergipano cultivando em uma área aproximada de 22 hectares

Produtores de Arauá, Umbaúba, Santa Luzia do Itanhy e Indiaroba já praticam o cultivo comercial do cacau como mais uma alternativa viável no processo de diversificação da fruticultura na região sul sergipana. A cacauicultura vem sendo usada no estado como possibilidade para enfrentar principalmente as baixas de preços e o combate a pragas e doenças que têm dificultado o avanço da citricultura. Em 2019, o plantio foi normatizado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) que aprovou o Zoneamento Agrícola de Risco Climático para a cultura do cacau no Estado de Sergipe.

Segundo o zoneamento feito pela Secretaria de Política Agrícola do MAPA, o cacaueiro é uma frutífera perene, arbórea e, por ser uma planta que tolera sombra, pode ser consorciada com diferentes culturas. É exigente em calor e umidade, adaptando-se bem a regiões com temperatura média anual em torno de 23ºC a 25ºC, com um período de estiagem não superior a dois meses e um mínimo de 1.200 mm anuais de chuvas necessários ao bom desenvolvimento do cultivo. Quando propagado por estaquia ou enxertia começa a produzir frutos com dois anos, prolongando-se até trinta anos após o plantio.

O plantio de cacau vem sendo implementado e estimulado pelo Governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado da Agricultura e sua Empresa de Desenvolvimento Agropecuário de Sergipe (Emdagro). O presidente da Emdagro, Jefferson Feitoza de Carvalho, explicou que em 2009, com a crise na citricultura, os agricultores receberam do governo mudas certificadas e fertilizantes para desenvolver culturas alternativas como o cupuaçu, açaí e cacau. “Até agora, o cacau apresentou melhor desenvolvimento. Hoje temos cerca de 12 produtores em quatro municípios do sul sergipano, cultivando em uma área aproximada de 22 hectares, uma produção estimada de 480 arrobas por ano”.

Intercâmbio com produtores baianos

Para o secretário de estado da Agricultura, Zeca da Silva, a produção continuará recebendo apoio do Governo de Sergipe. “Historicamente a produção cacaueira é bastante importante para o agronegócio brasileiro, hoje posicionando nosso país como o 7º produtor mundial. Se depender do governo, Sergipe não ficará de fora desse contexto”, disse Zeca. O engenheiro agrônomo da Emdagro, Luiz Fernandes de Oliveira Silva, dá um exemplo do intercâmbio realizado neste mês de novembro com produtores baianos, numa demonstração do interesse local. Disse que o Governo estadual, com apoio financeiro do Ministério da Agricultura, promoveu um intercâmbio com a Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (CEPLAC), localizada em Ilhéus (BA).

“Fomos em um grupo de 14 pessoas, sendo seis técnicos e oito produtores que estão com a cultura implantada. O resultado foi excelente, possibilitando que possamos aplicar maior eficiência no manejo da lavoura cacaueira em todas as fases da cadeia produtiva. Lá tivemos conhecimento sobre técnicas de propagação, poda, formação da copa, enxertia, tratos de tolerância à pragas, colheita e beneficiamento do cacau”, detalhou Luiz Fernandes, que também é chefe da Unidade Regional da Emdagro de Boquim

Produtores otimistas

O testemunho otimista dos agricultores demonstra ampliação da área plantada e da produção, que resulta numa fonte de renda a mais para suas famílias. Um dos exemplos é o agricultor Manoel Conceição Nogueira, do povoado Sucupira, município de Arauá. Em sua propriedade a Emdagro implementou uma Unidade de Observação consorciada com a banana. “Tenho um hectare de cacau já maduro que colho três vezes por ano e outro plantio irrigado em crescimento à sombra das bananeiras, ao todo são 2 mil pés. A renda melhor vem dos caroços (amêndoas do cacau) que vendo para compradores da Bahia”, conta o produtor. Segundo os técnicos, ele também é exemplo em diversificação e rotação de culturas. Para complementar a renda Manoel também planta e vende mandioca, banana, maracujá, goiaba, laranja, tangerina e limão.

Outro exemplo de produtor otimista com os resultados do cacau é José Ângelo de Souza, morador do povoado Limoeiro, em Arauá. Conhecido como Zé de Chico, ele era carreteiro, passou a ser produtor de laranja e hoje é um dos pioneiros na produção de cacau em Sergipe. “Comecei com duas tarefas e meia, hoje estou com 11 tarefas plantadas com cacau. Acho que a principal vantagem é o preço, muito melhor que a laranja”, destacou. Zé de Chico conta que tem uma renda anual de R$ 120 mil só com cacau. Agora em 2021, ele diz completar a comercialização de 280 arrobas de amêndoas de cacau que já tem comprador certo, em Santo Antônio de Jesus (BA).

Fotos: Vieira Neto


Atualizado: 30 de novembro de 2021, 09:47
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