Publicado: 13 de agosto de 2019, 14:00

Rizicultores do Baixo São Francisco preparam terra para plantio neste mês de agosto


Qualidade das sementes de arroz distribuídas pelo Governo deve contribuir para uma produção 54% maior

Agosto é tempo de preparo da terra para o plantio do arroz. O produtor rural e secretário da Associação dos Pequenos Agricultores do Distrito Betume, Carlos Alberto de Freitas foi um dos 950 rizicultores do Baixo São Francisco que receberam sementes distribuídas pelo governo de Sergipe. “Neste momento, estamos preparando a terra para no final de agosto lançar as sementes e, com sessenta dias, colher a safra deste ano. Com essa qualidade de semente que o governo distribui, aproximadamente 9 toneladas por hectare devem ser colhidas no Betume, acima da média nacional”, conta.

O cultivo de arroz coloca o estado de Sergipe entre os maiores produtores do Nordeste. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE, Sergipe ocupa a terceira posição no ranking elaborado a partir do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola, ficando atrás apenas do Maranhão e Piauí.  Os dados apontam, ainda, que em 2018 foram produzidas 22.612 toneladas de arroz em Sergipe. A estimativa é que, em 2019, a produção seja de 34.834 toneladas, significando um crescimento de 54%, em relação ao ano passado.

Para manter o crescimento, o governo de Sergipe entregou, no primeiro dia de agosto, 250 toneladas de sementes de arroz no Baixo São Francisco. Foram distribuídos, em média, 260 kg de sementes por família. “Mesmo com dificuldades no orçamento, garantimos a compra e distribuição das sementes, a partir de um investimento de mais de R$ 600 mil reais. Essa iniciativa fortalece a agricultura familiar, trazendo benefícios para a região, portanto, continuaremos a dar esse suporte”, afirmou o governador Belivaldo Chagas, durante a entrega das sementes, em Propriá.

O programa é uma política pública de apoio à produção de grãos com foco nos pequenos agricultores familiares sergipanos, principalmente, aqueles que se encontram em situação de maior vulnerabilidade. Os recursos aplicados são 100% provenientes do tesouro Estadual, especificamente do Fundo de Combate e Erradicação da Pobreza – FUNCEP, gerenciado pela secretaria de Estado da Inclusão Social – SEIT. 

As 250 toneladas de sementes estão sendo distribuídas nos perímetros irrigados da Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) de Propriá (60t), Betume (160t) e Continguiba/Pindoba (30t), atendendo aos municípios de Propriá, Cedro de São João, Japoatã, Neópolis, Telha, Ilha das Flores e Pacatuba. A distribuição é feita pela Secretaria de Estado da Agricultura, Desenvolvimento Agrário e da Pesca (Seagri), por meio da Emdagro.

“Tivemos a oportunidade de visitar os perímetros da Codevasf no Baixo São Francisco e constatamos a carência de assistência técnica e comercialização. Neste sentido, estamos fazendo um estudo com a Emdagro para tentar atuar ainda mais nessa cadeia produtiva de maneira geral, não só no momento do plantio, mas também na comercialização. Esperamos, em breve, melhorar as condições para que o agricultor consiga negociar de maneira mais justa o valor de venda da sua produção”, explicou o secretário de estado da Agricultura, André Bomfim.

Economia e Produtividade
De acordo com o presidente da Emdagro, Jefferson Feitoza, a escolha das sementes é feita pelos próprios produtores. “O tipo ou a variedade das sementes é escolhida pelos próprios produtores, que se reúnem na Emdagro para opinar sobre o processo. Não temos dúvidas de que a alta produtividade está, entre outros fatores, relacionada à excelente qualidade da semente que é distribuída”, explicou.

É o que afirma o agricultor José Vilson dos Santos, que produz, há 34 anos, no perímetro Cotinguiba/Pindoba, em Propriá. Ele já consegue fazer uma estimativa para a sua produção, considerando a economia possibilitada pela entrega gratuita de sementes pelo governo, e a sua qualidade. “Com essa semente, faço uma economia de R$ 900. Esse é o valor que pagaria, se tivesse de comprar os 225 kg que estou recebendo do governo. Nos meus três hectares, com a qualidade que tem essa semente, devo colher cerca de 600 sacos de arroz este ano”, prevê o produtor.

Pensando no desenvolvimento da região, os produtores do Baixo São Francisco já planejam, inclusive, a transição para o cultivo agroecológico. “Duas coisas que acho que é preciso: dar continuidade a esse projeto do governo e valorizar a produção orgânica. Hoje temos um diferencial aqui na região de Propriá, que é a transição do arroz tradicional para o arroz agroecológico. Atualmente, produzo em torno de 17 mil quilos e, dentro de dois anos, produziremos o orgânico em quantidade ainda maior”, revela o agricultor Juvenal Soares da Silva. 

Além das sementes de arroz, o Governo de Sergipe já realizou a entrega de 180 toneladas de sementes de milho, sendo 150 toneladas de sementes certificadas e 30 toneladas de sementes crioulas; e está em vias de concluir a entrega de três milhões de raquetes de palma forrageira para alimentação animal a 872 produtores de 12 municípios da bacia leiteira (3.400 raquetes e três sacos de adubo por produtor) – a partir de um aporte de mais R$ 1 milhão. Ao todo, os investimentos em sementes de milho, arroz e palma chegam a quase R$ 2,6 milhões.


Atualizado: 13 de agosto de 2019, 14:00
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