Sergipe mobiliza setor produtivo e instituições no I Fórum de Controle da Brucelose

Fórum fortalece ações integradas para ampliar controle sanitário, proteger pecuária sergipana e enfrentar baixos índices de vacinação no estado

A busca por um rebanho mais saudável e produtivo pautou o I Fórum Sergipano de Controle da Brucelose, realizado nesta quinta-feira, 26, no auditório da Empresa de Desenvolvimento Agropecuário de Sergipe (Emdagro), em Aracaju. O evento reuniu produtores, técnicos, instituições públicas e privadas para discutir estratégias de enfrentamento à doença, considerada um dos principais desafios sanitários da pecuária no estado.

Promovido pela Federação da Agricultura do Estado de Sergipe (Faese), com correalização da Emdagro e apoio do Ministério da Agricultura, o fórum teve como foco central ampliar o índice de vacinação contra a brucelose que, atualmente, está abaixo de 30% em Sergipe — número bem distante dos 80% recomendados nacionalmente.

Durante a abertura, o presidente da Emdagro, Gilson dos Anjos, reforçou o impacto direto da doença na economia e na saúde pública, e fez questão de destacar o papel da instituição no apoio direto aos pequenos produtores. “A brucelose causa prejuízos severos aos rebanhos e também representa risco à saúde humana. Por isso, a Emdagro tem intensificado a questão da educação sanitária e na fiscalização em propriedades inadimplentes, bem como atuado fortemente na vacinação gratuita para produtores que possuem até 30 cabeças de gado, garantindo que esse público tenha acesso às medidas de controle da doença”, afirmou.

Ainda segundo Gilson dos Anjos, Sergipe já avançou em outras áreas da sanidade animal, como o reconhecimento internacional de área livre de Febre Aftosa sem vacinação, e defendeu que o mesmo caminho pode ser seguido no enfrentamento à brucelose. “Com união e compromisso, vamos alcançar resultados concretos”, destacou.

O superintendente da Faese, Dênio Augusto Leite, enfatizou que o fórum nasce da necessidade de reação diante dos baixos índices vacinais. Segundo ele, o trabalho será estruturado em dois eixos: conscientização dos produtores e ampliação do número de profissionais habilitados para vacinação e diagnóstico. “Precisamos levar informação e garantir acesso. Só assim vamos aumentar a cobertura vacinal em todo o estado”, pontuou.

Já o chefe do Serviço de Inspeção de Insumos Pecuários e Saúde Animal do Ministério da Agricultura em Sergipe, Genison dos Santos Correia, chamou atenção para a subnotificação de casos da doença. Ele explicou que sinais como abortos no final da gestação e baixa fertilidade devem ser comunicados aos órgãos de defesa agropecuária. “Sem notificação, não conseguimos dimensionar o problema e nem avançar em políticas públicas eficazes”, alertou.

Genison também destacou que a vacinação é obrigatória e deve ser realizada por profissionais habilitados, seguindo as diretrizes do Programa Nacional de Controle e Erradicação da Brucelose e Tuberculose. Fatores como custo, acesso e questões estruturais ainda impactam os índices, mas medidas estão em andamento para reverter esse cenário.

A programação do evento incluiu palestras técnicas sobre os impactos da brucelose na bovinocultura, o panorama vacinal em Sergipe e os entraves enfrentados na execução das políticas sanitárias, além da construção coletiva de um plano de ações institucionais.

A mesa de abertura contou com a presença de representantes de diversas instituições estratégicas para o setor. Pelo Sistema Faese/Senar, participou o superintendente Dênio Augusto Leite; pelo Ministério da Agricultura e Pecuária, o superintendente em Sergipe, Antônio de Oliveira Reis; pela Emdagro, o presidente Gilson dos Anjos; pelo Conselho Regional de Medicina Veterinária, Urias Fagner; pela Universidade Federal de Sergipe, o vice-diretor do Centro de Ciências Agrárias, professor doutor Anselmo Domingos Ferreira Santos; pela Unipio, o coordenador do curso de Medicina Veterinária, professor doutor Carlos Alberto Palmeira Sarmento; além do secretário de política agrícola da Fetase, Ian Victor.

Presente no fórum, o produtor Josivaldo Oliveira, presidente da Cooperativa Master Leite, do município de Poço Verde, no sertão sergipano, avaliou o encontro como um marco necessário para o fortalecimento da atividade no estado. “Esse debate já deveria ter acontecido há mais tempo, mas ainda bem que chegou. O sertão precisa muito de ações como essa. A brucelose traz prejuízos grandes para o produtor, impacta a produção e afeta toda a cadeia. Agora é o momento de virar esse jogo”, afirmou.

Segundo ele, o produtor tem papel central na mudança desse cenário, mas ainda enfrenta desafios, principalmente no acesso à informação. “Tem muita gente que ainda não acompanha essas orientações, às vezes por falta de acesso ou de conhecimento. Por isso, a gente precisa levar essa informação para dentro das comunidades. Tenho certeza que não só eu, mas outros que estão aqui vão sair com essa missão de fazer um trabalho mais forte nas comunidades, orientando e ajudando a melhorar esses índices”, apontou. 

Ele ainda destacou a importância das capacitações promovidas pelo Sistema Faese/Senar para a evolução dos produtores da região. “O Senar tem sido fundamental. A gente vem aprendendo, evoluindo e conseguindo melhorar a produção. Para quem vem do sertão, isso faz toda a diferença”, completou.

Próximos passos

Como encaminhamento, as instituições envolvidas devem intensificar campanhas educativas, promover capacitações para habilitação de novos profissionais e ampliar o alcance das ações junto aos produtores rurais.

A expectativa é que, com o engajamento coletivo e ações mais estruturadas, Sergipe avance no controle da brucelose, elevando seus índices de vacinação e garantindo mais segurança sanitária e competitividade para a pecuária estadual.

Governo

Última atualização: 27 de março de 2026 11:08.

Acessar o conteúdo