Publicado: 23 de julho de 2019, 14:12

Dom Távora leva fonte de renda e água para comunidades rurais de Simão Dias


Planos de negócios e poços perfurados somam um investimento de R$ 1,35 mil

Três propostas de associações agricultores familiares de Simão Dias ao Projeto de Negócios Rurais para Pequenos Produtores – Projeto Dom Távora esbarravam em dificuldades de acesso à água. A solução foi inserir, nos planos de trabalho, a estruturação de sistemas de abastecimento de água a partir de poços perfurados pelo governo de Sergipe. Com a água instalada e atendendo direta e indiretamente a mais de 300 famílias nos povoados Deserto, Cova da Negra, Rua do Fogo, Muriango, Apertado de Pedra e Cumbe, as comunidades passaram a adquirir de insumos, sementes e as matrizes dos animais, para implantar 190 negócios familiares.

O Dom Távora é um projeto do governo de Sergipe, executado através da Seagri/Emdagro, com recursos do Estado e do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA). Nele, além de técnicos do governo, atuam também consultores do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). Em Simão Dias, um dos quatro consultores do Projeto é o engenheiro agrônomo Lucas de Oliveira, que destaca que o abastecimento pleno de água, além de complementar os negócios rurais que estão sendo implantados, contempla uma das Metas do Milênio da ONU. 

“As atividades financiadas pelo projeto são a ovinocultura, criação de aves, produção de hortaliças e confecção de roupas, mas como as comunidades não tinham acesso à água nas suas residências, isso veio servir tanto para dessedentação animal e irrigação, quanto para o uso doméstico. Vai atingir a meta do projeto agora, que é melhorar a renda da família através do financiamento das atividades produtivas, mas também vai disponibilizar acesso de água encanada nas residências de cada família associada e outros moradores. Significa fixação do homem no campo, melhoria de renda e segurança alimentar”, assinalou Lucas.

Os três poços foram perfurados pela Companhia de Desenvolvimento de Recursos Hídricos e Irrigação de Sergipe – Cohidro, subsidiária da Secretaria de Estado da Agricultura (Seagri), a partir de recursos próprios na ordem de R$ 45.403,40. A instalação da rede de água contou com as máquinas da prefeitura de Simão Dias.

Atendido pelo projeto do Apertado de Pedra, Davi Matos (53) vai contar com a água fornecida em sua casa para implantar uma horta com sementes e sistema de irrigação subsidiados pelo Dom Távora. “Antigamente não tinha poço artesiano. A gente tinha que buscar água de jegue a 2 km e agora, com esse poço, vai ser a da cisterna que a gente usa para cozinhar, e essa para casa e a irrigação. No momento, trabalho com feijão, macaxeira e as frutas básicas da casa, mas com a irrigação, vai aumentar a renda e vai dar para fazer alguma coisa para vender na comunidade. Se der, vender na cidade também”, planeja. Nesse plano de negócio, o governo de Sergipe e o Fida investiram R$ 511.795,30 na compra de máquinas de costura, ovinos, aves, sementes, insumos e instalações, beneficiando 94 famílias.

Nascido e criado no povoado Rua do Fogo, o aposentado Antônio dos Santos (62) vive com a esposa, filha e neto. Já com água em casa, ele vai começar uma criação de aves, conforme o plano de negócios que inclui, ainda, ovinocultura e corte e costura, no valor total de R$ 405.614,76. “Na casa sem água era mais difícil, a gente ia buscar lá na serra ou no chafariz que tem ali em seu Vardo, pagando carroça ou trator, mas graças a Deus agora tem água na porta. O galinheiro já está feito, agora faltam as galinhas. Se tudo correr bem, eu vou comprar mais, para ver se vai continuando, dando lucro para gente é bom demais”. Ele assinala que agora aguarda chegar os comedouros, bebedouros, a ração e os pintos para começar a granja.

Rosilene Nascimento mora, há 29 anos, no povoado Cova da Negra e também vai participar do projeto com criação de galinhas. Na comunidade, com a água do Dom Távora foram beneficiadas, ao todo, 12 famílias. “Primeiro era uma dificuldade triste. Tinha que pegar num tanque, numa barragem na pista. Era na cabeça, na galinhota, onde desse para trazer a gente ia pegar, com muita dificuldade. Agora, graças a Deus, tendo essa água em casa, para nós mudou muito”. A agricultora acredita que o financiamento dos negócios rurais vá complementar a renda das famílias. “Hoje nós trabalhamos com a roça, mas vamos trabalhar também com as máquinas de costura e vender galinha, e futuramente trabalhar com ovelha também”. Em todos os planos de negócios, a mão de obra da instalação da rede de abastecimento de água foi dos próprios associados beneficiados.


Atualizado: 23 de julho de 2019, 14:12
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