Operação apreende 1.500 mudas de citros fora das normas em dois dias de fiscalização intensiva
A Coordenadoria de Defesa Vegetal da Empresa de Desenvolvimento Agropecuário de Sergipe (Emdagro) intensificou suas ações de fiscalização para combater o cultivo e a comercialização de mudas clandestinas em todo o estado. A operação realizada por um período de dois dias abrangeu viveiros e lojas que vendem mudas ornamentais e frutíferas, com foco na região citrícola em diferentes municípios.
A equipe composta por sete fiscais agropecuários, engenheiros agrônomos e técnicos agrícolas, realizou uma série de inspeções rigorosas. Como resultado, aproximadamente 1.500 mudas de citros fora das normas regulamentares foram apreendidas e destruídas. A ação faz parte de um esforço contínuo da Emdagro para garantir a qualidade e a segurança das plantas em Sergipe, preservando a sanidade fitossanitária dos plantios e coibindo a produção e venda de mudas clandestinas.
A Diretora de Defesa Animal e Vegetal da Emdagro, Aparecida Andrade, ressaltou a importância da operação para a proteção da citricultura no estado. “A fiscalização é crucial para evitar a entrada e disseminação do ‘Greening’, uma das mais graves doenças que afetam os citros. Caso não tenhamos um controle rigoroso, a produção de citros em Sergipe pode ser severamente prejudicada, com impactos econômicos e sociais significativos”, destacou.
O Coordenador de Defesa Vegetal da Emdagro, Sandro Krüger, também comentou os resultados alcançados durante a operação: “Estamos sempre atentos para manter a agricultura sergipana livre de pragas e doenças. A apreensão dessas mudas é um grande avanço no combate às irregularidades, e as ações contínuas de fiscalização garantem que estamos protegendo não só os produtores, mas também toda a cadeia produtiva do estado”, afirmou.
A Emdagro segue firme na missão de monitorar e garantir que todos os artigos regulamentados estejam em conformidade com as normas estabelecidas, promovendo a sanidade vegetal e assegurando a sustentabilidade do setor agrícola em Sergipe. A população pode acompanhar e colaborar com essas ações, denunciando qualquer atividade suspeita relacionada à comercialização de mudas clandestinas.
Porta-enxerto de Goiabeira BRS Guaraçá permite conviver com o nematóide, principal praga da goiabeira no Brasil.
Irrigantes do Perímetro Irrigado Califórnia, em Canindé de São Francisco, território do alto sertão sergipano, recebem novo estímulo ao cultivo da goiaba. Uma nova tecnologia desenvolvida pela Embrapa Semiárido (Petrolina/PE) está sendo introduzida a partir de projeto intersetorial e apoio do Governo do Estado. O nematoide prejudicou fruticultores do Califórnia e influenciou na substituição de 32% das áreas de pomares de goiaba por outros cultivos agrícolas nos últimos quatro anos. O porta-enxerto de goiabeira BRS Guaraçá permite conviver com o nematóide sem perder o potencial de produtividade de cultivares comerciais.
Dois pomares, com 200 goiabeiras cada, foram introduzidos em lotes irrigados do perímetro por meio do projeto Lagos do São Francisco há dois anos e estão servindo de área demonstrativa da nova variedade. A Companhia de Desenvolvimento Regional de Sergipe (Coderse), vinculada à Secretaria de Estado da Agricultura, Desenvolvimento Agrário e da Pesca (Seagri), administra o Perímetro Califórnia.
Técnico agrícola da empresa pública, Joaquim Ribeiro atua no Lagos do São Francisco e orienta um dos irrigantes que está fazendo a segunda colheita comercial da BRS Guaraçá. “O produtor Valmir Matos do Nascimento, do Setor 07, do Califórnia, iniciou a segunda colheita em 14 de agosto. Vai passar 30 dias colhendo neste talhão com 100 plantas e outro talhão, com mais 100, começa a colheita aos 30 dias. Que dura mais 30 dias colhendo. A previsão de colheita nos dois talhões é de 250 caixas de 25 quilos cada”, relata o técnico da Coderse.
Irrigante do Califórnia, Valmir Matos diz estar muito feliz de ter recebido as mudas de goiabeira enxertadas em BRS Guaraçá. “A principal mudança é que elas são muito resistentes às pragas e doenças. Então, me sinto muito grato por esse apoio da Embrapa e da Coderse. Foi muito importante, é uma tecnologia eficiente e que permite uma produção boa. Essa já é a segunda safra. Essas goiabeiras fizeram dois anos [de plantio] em março”, pontuou.
No perímetro irrigado de Canindé, de janeiro de 2020 a janeiro de 2024, a área ocupada com goiabeiras reduziu de 114,17 hectares para 77,20 ha. Passando esses quase 37 hectares a serem ocupados por outras produções agrícolas irrigadas. Essa situação foi influenciada pela incidência do nematoide-das-galhas, o que aumenta os custos de produção ao irrigante e até causa a perda de plantas.
A Coderse atua na assistência técnica aos 373 lotes produtivos do perímetro e a água de irrigação, para garantir que as goiabeiras e uma outra infinidade de cultivos agrícolas, produzam no clima do semiárido. “Damos suporte e a assistência técnica. A manutenção do perímetro, na questão de adutoras, bombeamento dos motores e fornecimento de água, nos horários, para a devida irrigação e tudo mais que for necessário”, explica o gerente do Califórnia, Anderson Rodrigues.
Pesquisa José Egídio Flori é pesquisador da Embrapa de Petrolina, em Pernambuco, e acompanhou de perto a introdução do BRS Guaraçá também no Perímetro Califórnia. Segundo ele, essa pesquisa vem sendo trabalhada pela Embrapa desde que o nematoide-das-galhas surgiu como problemas fitossanitário de salto impacto na goiabeira. A solução foi encontrada na realização de cruzamentos entre goiabeira e araçazeiro, que são espécies da mesma família botânica (Myrtaceae), para o desenvolvimento de novos porta-enxertos. A seleção realizada a partir destes cruzamentos gerou o porta-enxerto BRS Guaraçá no
Lagos do São Francisco O projeto Lagos do São Francisco é uma parceria que envolve Eletrobras, Companhia Hidroelétrica do São Francisco (Chesf), Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Embrapa e Seagri e já beneficiou aproximadamente 100 agricultores de Canindé, com o fornecimento de insumos, sementes, matrizes e ração para criatórios da galinha Canela-Preta.
Por meio desse esforço conjunto, o perímetro da Coderse recebeu as mudas de goiabeira enxertadas na cultivar BRS Guaraçá. Também foi realizado um dia de campo da Embrapa no último mês de julho, como complementação da introdução das suas tecnologias de produção. O evento reuniu outros agricultores irrigantes e estudantes de Sergipe e Alagoas.
Em Sergipe, o BNB apresentou o plano de aplicar R$ 1,04 bilhão nesta edição do Plano Safra, sendo R$ 506 milhões para a agricultura familiar e R$ 536 milhões para a agricultura empresarial
Agricultores, autoridades, representantes de entidades rurais e empresas parceiras participaram do lançamento do Plano Safra da Agricultura Familiar 2024-2025 em Sergipe, organizado pelo Banco do Nordeste (BNB). O evento foi realizado na manhã desta sexta-feira, 6, na sede da Associação dos Engenheiros Agrônomos de Sergipe (Aease), e também contou com a presença da gestão estadual e do governo federal.
Para Sergipe, o BNB apresentou o plano de aplicar R$ 1,04 bilhão nesta edição do Plano Safra, sendo R$ 506 milhões para a agricultura familiar e R$ 536 milhões para a agricultura empresarial. De acordo com o presidente do agente financeiro, Paulo Câmara, o banco tem ampliado a capacidade de crédito dos agricultores familiares da região, que podem financiar custeio, compra de máquinas e até mesmo usinas solares para suas propriedades. “Dessa forma, a produtividade cresce e gera mais desenvolvimento e empregos para o homem e a mulher do campo”, pontuou o presidente do BNB, Paulo Câmara.
Na ocasião, vice-governador Zezinho Sobral, representando o governador Fábio Mitidieri, destacou a importante contribuição das empresas estatais de assistência técnica – Empresa de Desenvolvimento Agropecuário de Sergipe (Emdagro) e Companhia de Desenvolvimento Regional de Sergipe (Coderse) – na elaboração de projetos para os agricultores familiares que buscam financiamento nos bancos.
Além disso, o gestor também chamou a atenção para importantes investimentos feitos pelo Governo de Sergipe que impactam diretamente o setor produtivo da agropecuária. “Temos criado um ambiente importante para agricultura familiar. Ampliamos de 9% para 32% a alimentação escolar adquirida das cooperativas de agricultura familiar por meio do Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae), não tenho dúvidas de que é uma contribuição bastante significativa”, exemplificou o vice-governador.
“A construção da Adutora do Leite vai levar água bruta de Canindé de São Francisco até Nossa Senhora da Glória. É água bruta para a dessedentação animal e para a ampliação da produção de rebanho do sertão. Essa área é uma área característica da agricultura familiar, é onde temos a maior produção de leite do nosso estado, uma produção de qualidade, um investimento de R$ 250 milhões. O governador Fábio Mitidieri também foi buscar recursos para implementar o projeto Sertão Vivo. São mais investimentos no valor de R$ 150 milhões captados com o BNDES para investimento na nossa região agrícola, na nossa região da Caatinga, para fortalecimento de inúmeras atividades com a participação da agricultura familiar”, acrescentou Sobral.
Ainda durante o evento, agricultores familiares da comunidade quilombola Patioba, do município de Japaratuba, atendidos pela Emdagro receberam seus documentos do Cadastro da Agricultura Familiar (CAF). Além disso, o Banco do Nordeste apresentou estratégias de financiamento e linhas de crédito disponíveis, e produtores assinaram contratos de operações de crédito fundiário e do Programa de Microfinança Rural do Banco do Nordeste (Agroamigo), no valor total de R$ 596 mil.
Presente no lançamento, o ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Paulo Teixeira, reforçou a parceria do BNB com o setor da agropecuária. “O BNB tem um sistema muito importante, que é o trabalho dos assessores de crédito, que acompanham de perto e ensinam sobre o uso dos recursos. Assim, o banco tem ajudado a equipar, mecanizar e apoiar o produtor rural”, reforçou.
Foram entregues sementes de variedades diferentes das utilizadas nos pomares sergipanos, a fim de diversificar a produção
Viveiristas e citricultores sergipanos receberam sementes para produção de novas variedades de plantas cítricas em dia de campo realizado pela Empresa de Desenvolvimento Agropecuário de Sergipe (Emdagro) nesta quinta-feira, 5, na unidade de produção do órgão no município de Boquim. A ação faz parte do Programa Citricultura Sustentável realizado pelo Governo de Sergipe, por meio da Secretaria de Estado da Agricultura (Seagri) e da Emdagro, com o objetivo de promover maior produção e produtividade e mudas mais resistentes a pragas. Na ocasião, também foram realizadas palestras sobre as vantagens das novas variedades de plantas, a importância dos cuidados sanitários e a ação da pesquisa para o combate às pragas.
De acordo com o diretor de Assistência Técnica da Emdagro, Jean Carlos Nascimento, as sementes doadas pelo governo vão produzir novas variedades de porta-enxerto para citros com maior produtividade. “O Governo do Estado está disponibilizando para o pequeno citricultor e pequeno viveirista essas quatro variedades que foram desenvolvidas pela Embrapa [Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária]. Eles vão poder aumentar a sua produtividade e o número de plantas por espaço de hectare, elevando a produtividade no estado. Estamos distribuindo 12 quilos de sementes de qualidade técnica que vão propiciar a produção de 25 mil a 30 mil mudas de citros. É um trabalho estrutural sustentável e de diversificação que vai fazer com que a citricultura fique mais forte”, explicou o diretor.
O coordenador de Agricultura da Emdagro, Eduardo Cabral de Vasconcelos Barreto, acrescentou que a entrega das sementes é mais uma ação realizada pela empresa, visto que no primeiro semestre de 2024 já foram distribuídas 210 mil borbulhas aos pequenos produtores de mudas cítricas do estado, de variedades selecionadas, de alto padrão genético e de alta produtividade. “Esse trabalho de diversificação visa fortalecer a citricultura local, seguindo as diretrizes da moderna citricultura que desaconselha a monocultura de porta-enxertos, devido aos riscos associados a pragas e doenças”, pontuou.
“Na Unidade Produtiva da Emdagro em Boquim, estamos explorando um hectare de produção de sementes para porta-enxerto, que integra as quatro novas variedades, que são Citradarins Riverside, Índio e San Diego, a Tangerina Sunki, e o tradicional Limão Cravo Santa Cruz. Também estamos viabilizando a instalação de dez unidades demonstrativas de laranja. A primeira delas está instalada no povoado Mangue Grande, em Boquim”, complementou Eduardo Cabral.
O presidente da Associação do Pequeno Viveirista de Boquim, Roberto Pereira da Mota, considerou que a ação do governo ajuda o pequeno agricultor a reduzir o custo de produção “Atualmente, um litro de semente custa R$ 1 mil, o que vinha inviabilizando a produção de mudas dos pequenos produtores com novas variedades. Com essa ajuda que estamos recebendo hoje aqui na Emdagro, vamos produzir mais e ajudar mais nossas famílias”, ressaltou.
Roberto disse ainda que a qualidade das mudas tem atraído compradores de vários municípios e também de outros estados. “Como a gente produz mudas de qualidade, vêm produtores de todo o estado e até de fora de Sergipe para comprar da gente, principalmente produtores aqui de Boquim, Umbaúba, Geru, Cristinápolis e até da Bahia e Pernambuco”, detalhou.
O agricultor Dionísio Moreira da Silva também ficou satisfeito com o dia de campo realizado pela Emdagro. Ele é produtor no povoado Lagoa de Dentro, no município de Arauá, com uma propriedade de quatro hectares com cultivo de limão, laranja e tangerina. “Toda assistência da Emdagro é muito boa, mas o que foi mais importante hoje foi essa orientação sobre as novas variedades de plantas enxertadas. Até hoje eu só usei o Limão-Cravo como porta-enxerto e, pelo que eu vi hoje, uma variedade só não é viável. As novas plantas produzem mais, resistem mais às pragas”, colocou.
Caso a vistoria comprove a perda, o Garantia Safra deve beneficiar mais de 14.500 trabalhadores rurais de 21 municípios
Técnicos da Empresa de Desenvolvimento Agropecuário de Sergipe (Emdagro) e das prefeituras municipais estão em campo para vistoriar a perda de safra nas lavouras de milho sergipanas. Caso haja comprovação de perda da safra, cerca de 14.500 agricultores de 21 municípios devem ser beneficiados com o seguro do programa Garantia Safra, de R$ 1.200, referente à safra de 2023/2024. A verificação é feita pelos órgãos estaduais e federais. Em Sergipe o programa é coordenado pela Secretaria de Estado da Agricultura, Desenvolvimento Agrário e da Pesca (Seagri).
A vistoria, que será feita por amostragem, tem prazo para ser realizada até o próximo dia 28 de outubro.Solicitaram a inspeção os municípios de Aquidabã, Canindé de São Francisco, Carira, Feira Nova, Frei Paulo, Gararu, Gracho Cardoso, Monte Alegre, Nossa Senhora Aparecida, Nossa Senhora das Dores, Pedra Mole, Pinhão, Poço Redondo, Porto da Folha, Ribeirópolis, São Miguel do Aleixo, Tobias Barreto, Nossa Senhora da Glória, Itabi, Nossa Senhora de Lourdes e Canhoba.
De acordo com o coordenador estadual do Garantia Safra, Sérgio Santana, para reconhecer a perda da safra são analisados, além do laudo do município, os dados do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro), do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). “A confirmação se dará se o laudo de apenas um dos órgãos coincidir com o do município, não sendo necessária a validação de todos juntos”, disse Santana, a fase de pagamento acontece após a liberação.
Porto da Folha, no alto sertão sergipano, é um dos municípios mais prejudicados pelo estresse hídrico, com uma média anual de 504 milímetros de chuvas nos últimos 20 anos. Para a secretária de Agricultura deste município, Cláudia Azevedo Leite, o pagamento do benefício é muito positivo para a economia local. “Representa um impacto gigantesco positivamente, tanto para a família do campo quanto para o desenvolvimento do nosso município”, analisou, observando que somente na safra 2022/2023 foram 1.564 agricultores beneficiados. “É um recurso muito bem-vindo, não só para o agricultor, como para toda a família, pois com esse dinheiro eles podem investir em suas propriedades ”, afirmou, ao observar que para a safra 2023/2024 foram 1.888 agricultores cadastrados.
Capacitação destacou técnicas avançadas de manejo e genética, fortalecendo a ovinocaprinocultura local
Nesta quarta-feira, 4, a Empresa de Desenvolvimento Agropecuário de Sergipe (Emdagro) realizou um curso prático sobre ovinocaprinocultura no Povoado Jacaré, em Tobias Barreto. O evento reuniu 20 produtores da região, com o objetivo de promover o aprimoramento das técnicas de manejo e estimular o desenvolvimento da atividade na região.
Durante o curso, os produtores tiveram a oportunidade de aprofundar seus conhecimentos em áreas cruciais para a criação de ovinos e caprinos, como sanidade, reprodução, nutrição e melhoramento genético. A coordenadora de Pecuária e Médica Veterinária da Emdagro, Izildinha Dantas, destacou a importância da prevenção de doenças para garantir a saúde do rebanho e a rentabilidade da produção. “O manejo sanitário adequado é essencial para evitar perdas e garantir a qualidade dos animais, contribuindo diretamente para a sustentabilidade da criação”, afirmou.
O médico veterinário Maurício Kalil, que conduziu os módulos sobre nutrição, reprodução e melhoramento genético, enfatizou a necessidade de uma alimentação balanceada e de práticas de reprodução controlada para melhorar a genética dos rebanhos. “A escolha correta dos reprodutores e a alimentação adequada são fundamentais para o sucesso da ovinocaprinocultura, pois influenciam diretamente na produtividade e na qualidade da carne e do leite”, explicou.
O curso também incluiu demonstrações práticas de manejo sanitário e a apresentação das principais características raciais de ovinos e caprinos, proporcionando uma visão abrangente sobre as técnicas mais modernas e eficazes para a condução da atividade.
Gilton Pena Matos Menezes, do Povoado Baixão, é criador de ovinos e caprinos há mais de 20 anos e reconheceu a oportunidade de um novo aprendizado sobre a produção: “Participar deste curso foi uma oportunidade única. A gente sempre tem algo novo para aprender, e as orientações que recebemos aqui vão ajudar muito na melhoria do manejo sanitário do meu rebanho. A troca de experiências com outros criadores também foi muito enriquecedora. Me chamou atenção a questão sobre verminose e suplemento alimentar. Esse curso chegou na hora certa”.
Iniciando na atividade da ovinocaprinocultura, o criador Adinilson dos Santos pontuou as possibilidades de trabalho em sua propriedade ao aplicar todas as técnicas apresentadas no curso. “Sempre busquei aprimorar meus conhecimentos na criação de caprinos, e esse curso veio em boa hora. As informações sobre nutrição e melhoramento genético foram especialmente valiosas para mim. Com certeza, vou implementar essas práticas na minha criação para melhorar a qualidade dos animais e aumentar a produção”, frisou.
Produção
Dados recentes do Sistema de Integração Agropecuária (SIAPEC) da Emdagro apontam que Sergipe possui um rebanho de 406.463 ovinos e 43.244 caprinos. O município de Tobias Barreto se destaca como um dos maiores produtores de ovinos do estado, com 33.769 cabeças, ocupando a segunda posição, atrás apenas de Poço Verde. A cidade também ocupa o sétimo lugar na produção de caprinos, com 2.280 cabeças. O número de produtores em Tobias Barreto é igualmente expressivo, com 1.618 criadores de ovinos e 167 de caprinos.
A ovinocaprinocultura tem se mostrado uma atividade promissora em Sergipe, com municípios como Poço Verde, Tobias Barreto e Simão Dias liderando na produção de ovinos, enquanto Nossa Senhora da Glória, Itabaiana e Macambira se destacam na produção de caprinos. Eventos como o curso promovido pela Emdagro são fundamentais para capacitar os produtores e garantir o crescimento da atividade no estado.
Equipe técnica realizou processo de inseminação em tempo fixo em ovinos e caprinos dos produtores agrofamiliares cadastrados
Com o Programa Mais Genética no Sertão, o Governo de Sergipe continua a expandir as ações em benefício da pecuária em diversas regiões do estado. Lançado em julho deste ano, com o objetivo de melhorar a qualidade genética dos rebanhos de caprinos e ovinos, além de aumentar a produção, a iniciativa chegou aos municípios de Nossa Senhora da Glória e Poço Verde, nos dias 1º e 2 de setembro, respectivamente. Na oportunidade, a equipe técnica deu continuidade ao processo de inseminação em tempo fixo (IATF) dos animais dos produtores agrofamiliares cadastrados no programa.
A iniciativa é uma parceria entre a Secretaria de Estado da Agricultura, Desenvolvimento Agrário e da Pesca (Seagri), a Empresa de Desenvolvimento Agropecuário de Sergipe (Emdagro) e a Confederação Nacional de Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer).
Com a meta de atingir 1.200 prenhezes por município ao longo de quatro anos, o programa visa não apenas a ampliação do rebanho, mas também ao aprimoramento da qualidade dos caprinos e ovinos, refletindo diretamente na rentabilidade dos pequenos produtores rurais. A tecnologia utilizada, que envolve várias fases de aplicação hormonal e diagnóstico gestacional, é oferecida gratuitamente aos produtores, proporcionando um serviço que seria inacessível para muitos deles devido ao alto custo.
A Emdagro, empresa de assistência técnica executora do programa, estima que existe em Sergipe um rebanho de 56 mil caprinos e 493 mil ovinos concentrados no semiárido sergipano. A empresa destaca que o Mais Genética no Sertão vai qualificar o rebanho desses animais, ampliando em quantidade e qualidade, como vem acontecendo com os bovinos.
A técnica da Coordenadoria de Pecuária da Emdagro, a veterinária Catarina Belarmino, comentou sobre a importância da iniciativa. “Esse programa é fundamental para melhorar o rebanho dos pequenos produtores. Estamos utilizando reprodutores testados, o que significa que os filhos desses animais terão uma maior produção de leite ou carne, dependendo do tipo de rebanho. Isso melhora não só a qualidade genética, mas também a lucratividade das propriedades,” explicou.
Por meio do programa, até o momento, foram inseminados 53 caprinos em Porto da Folha. Em Nossa Senhora da Glória, foram 7 caprinos e em Poço Verde, 30 ovelhas. A inseminação faz parte de uma série de etapas fundamentais para garantir o sucesso do programa.
Assistência técnica
Neste mês de setembro, Poço Verde foi o primeiro município a iniciar a inseminação de ovelhas, na segunda-feira, 2. No município, foram selecionados sete produtores, com um total de 30 cabeças de animais para o processo de inseminação artificial.
O técnico da Emdagro de Poço Verde, Luiz Alberto Souza, destacou que o programa é totalmente gratuito para os agricultores familiares. “É impossível para um agricultor familiar adquirir um reprodutor de alto valor, que hoje pode custar em torno de 20 mil reais. A inseminação é feita sem nenhum custo para o produtor, que só precisa entrar com a vontade de participar e com os animais”, completou.
Milton Pereira dos Santos é um dos produtores locais. Com uma pequena propriedade onde cria caprinos e vacas leiteiras, ele destacou a importância do apoio governamental para pequenos agricultores. Ele é dono de uma pequena propriedade no Assentamento Francisco José dos Santos. Ao todo, o produtor cria 28 ovelhas, das quais cinco foram inseminadas. “Só tenho que agradecer a Deus por tudo. A gente tem umas vaquinhas de leite, que já foi feita a inseminação pelo nosso governo”, relatou Milton, mencionando a inseminação tanto em vacas quanto em ovelhas. Ele enfatizou que, sem essa ajuda, seria muito difícil custear os procedimentos por conta própria, considerando especialmente os desafios que os pequenos agricultores enfrentam diariamente.
Maria Ribeiro do Santos, outra produtora da localidade, também se beneficia do programa. Com um lote de 50 tarefas, onde cria 35 ovelhas e 8 bezerras. Maria relatou que a previsão é que cinco de suas ovelhas sejam inseminadas. “É uma oportunidade, porque os filhotes serão de qualidade. Se não fosse pelo apoio do governo, não teríamos essa chance. Como pequenos produtores, não podemos arcar com esse custo elevado”, afirmou Maria, destacando como a iniciativa facilita o acesso a tecnologias que, de outra forma, estariam fora de alcance para produtores menores.
Fases de implantação
A atuação do Mais Genética no Sertão envolve, no mínimo, quatro visitas aos produtores: a primeira para diagnóstico do animal, a segunda para aplicação de hormônio e a terceira para implante do sêmen. A quarta visita para verificar se aconteceu a prenhez. A inseminação por meio do IATF, oferecido gratuitamente para os produtores, é executada pelo veterinário contratado pela Conafer, parceira do Governo Estadual na implementação desse projeto.
O médico veterinário Esdras Medeiros, técnico da Conafer, é um dos responsáveis por conduzir o processo de inseminação em Poço Verde. Ele explicou que o procedimento é minuciosamente planejado, começando com a seleção dos animais e diagnósticos de gestação, para garantir que apenas fêmeas aptas sejam inseminadas. “Nós estivemos aqui dez dias antes, fizemos a seleção dos animais, observando escore corporal e sanidade. Hoje, nós já estamos finalizando o processo, que é só a inseminação em si em carneiros Santa Inês em Poço Verde. Utilizamos a técnica de inseminação transervical com tração cervical, uma opção mais aplicável no dia a dia dos pequenos produtores”, detalhou.
Como participar
Para participar do programa os produtores devem atender alguns requisitos na propriedade. De acordo com a coordenadora de pecuária da Emdagro, Izildinha Dantas, os requisitos mínimos são a estrada de acesso para veículos, instalações em condições de uso, local para contenção adequada dos animais e pastos que supram a necessidade nutricional deles, além de planejamento para a época de seca, serão alguns itens exigidos. Também no local deve haver cochos em quantidade e tamanho adequado para mineralização. Após o cadastro, o produtor deverá aguardar o agendamento da visita do veterinário para iniciar o protocolo de inseminação artificial.
O produtor também precisa comprovar que o rebanho está em dia com os órgãos de defesa sanitária estadual e municipal, que está vermifugado e vacinado contra clostridiose, e apresentar os animais identificados com colar ou brinco. Também é imprescindível, no dia do início do protocolo, que os animais apresentem o Escore de Condição Corporal (ECC) mínimo de 2,5, numa escala de 1 a 5.
Se atender a esses requisitos, o produtor deve procurar as unidades da Emdagro para manifestar interesse, preencher cadastros e juntar os documentos necessários. Os interessados podem entrar em contato com a Emdagro pelo telefone (79) 99849-6742, pelo e-mail coopec@emdagro.se.gov.br ou no escritório da Emdagro mais próximo.
Município se caracteriza pela vocação para pecuária leiteira e cultivo de milho para comercialização de grãos
Com forte atividade na pecuária leiteira e no cultivo de milho para venda do grão, o município de Nossa Senhora de Lourdes, a 126 quilômetros da capital, recebeu os serviços da Secretaria de Estado da Agricultura, Desenvolvimento Agrário e da Pesca (Seagri) e vinculadas – Empresa de Desenvolvimento Agropecuário de Sergipe (Emdagro) e Companhia de Desenvolvimento Regional de Sergipe (Coderse) – na 34ª edição do governo itinerante ‘Sergipe é aqui’. Na ocasião, agricultores e pecuaristas demonstraram satisfação por terem serviços governamentais à disposição da população.
Por meio da Emdagro, 567 agricultores familiares foram assistidos no município. Em 2024, o governo distribuiu 3,5 toneladas de sementes de milho pelo Programa Sementes do Futuro, beneficiando 350 agricultores. Em 2023, o programa Mão Amiga Bacia Leiteira beneficiou 318 agricultores, e outros 144 agricultores foram cadastrados no Garantia Safra. Este último programa está em fase de análise de perda de safra, solicitada pela prefeitura.
“Mais uma vez, a equipe da Secretaria da Agricultura e suas vinculadas estiveram presentes no ‘Sergipe é aqui’, programa do Governo do Estado que vem aproximando cada vez mais o cidadão sergipano dos serviços da administração pública”, destacou o secretário-executivo da Seagri, Patrick Santana. “O município de Lourdes se destaca bastante na pecuária leiteira, e durante a semana que antecedeu o projeto, técnicos da Emdagro foram até as propriedades para vacinar 119 animais bovinos contra a Brucelose”, acrescentou, ao observar que no estande da Agricultura 13 produtores puderam receber seus certificados.
Outros serviços Como tem ocorrido em todas as edições do ‘Sergipe é aqui’, em Nossa Senhora de Lourdes a equipe da Emdagro fez a distribuição de 50 mudas frutíferas, aos agricultores que visitaram o estande. Acerola, pitanga, goiaba, jaca, jenipapo, jambo, tamarindo, cajá e amora foram alguns dos pés de fruta entregues no local, onde foram prestadas diversas informações aos visitantes sobre a emissão do Cadastro Nacional da Agricultura Familiar (CAF). Também foi feita a entrega de 13 certificados de vacinação contra a Brucelose, com 119 animais imunizados. Outros 30 agricultores entregaram amostras de solo, que serão encaminhadas para análise do Instituto Tecnológico e de Pesquisa do Estado de Sergipe (ITPS).
Um dos produtores rurais que visitou o estande da Agricultura durante o ‘Sergipe é aqui’ foi José Roberto Mota, da comunidade do Povoado Tabuleiro, que contou que já chegou a produzir cerca de 250 litros de leite por dia, além de fabricar bala de leite e queijo. Na ação desta sexta, ele recebeu o certificado de vacinação contra brucelose, e ressaltou a importância do documento para a saúde dos animais e dos seres humanos. “Sei que a Brucelose pode ser transmitida pelo leite, por isso em minha propriedade vacinei, com a ajuda dos técnicos da Emdagro, 28 animais”, detalhou.
Já a produtora Renibergna Silveira Moura Santos, do povoado Pedra Furada, em Nossa Senhora de Lourdes, destacou a importância da vacinação de animais em sua propriedade, afirmando que, graças à vacinação, nunca perdeu um animal por doença. Ela informou que 12 animais foram imunizados contra a Brucelose, sendo seis vacas e seis novilhas. Reni, como é chamada, também produz milho e cria suínos, comercializando leite para uma fabriqueta e vendendo leitões para engorda e abate. “A vacinação é essencial para prevenir doenças e garantir a saúde dos animais, incluindo a proteção contra Brucelose”, destacou.
A agricultora Lane Clei Barreto Albuquerque, do povoado Cabeça do Boi 1, em Gararu, aproveitou a ação do governo no município de Nossa Senhora de Lourdes, sua terra natal, para garantir uma muda frutífera para seu sítio. “Lá eu planto de tudo, mas o forte mesmo são as fruteiras. Tenho abacaxi, muitas mangueiras, pés de acerola, de tamarindo, de pinha, laranjeiras e, principalmente, os pés-de-maracujá, que vendemos bastante. Faltava um pezinho de abacate, que gosto muito, e hoje consegui aqui no estande da Agricultura”, disse, satisfeita.
Assim como ela, a agricultora Maria Risolândia da Silva, do povoado Tabuleiro, também voltou para casa com uma muda frutífera, neste caso, de jaqueira. “A jaca é uma das minhas frutas preferidas, e eu ainda não tinha em meu sítio. Agora vou plantar, e sei que vai dar bons frutos”, destacou.
Coderse A Companhia de Desenvolvimento Regional de Sergipe (Coderse) tem em Lourdes sua principal atuação na perfuração, instalação e recuperação de poços, para atender comunidades rurais. As águas subterrâneas do município são caracterizadas pela concentração de sal, restringindo a possibilidade de perfuração de poços artesianos.
No ‘Sergipe é aqui’, a Coderse também realizou o atendimento à população que busca por orientações, além de apresentar o trabalho realizado em todo o estado, com o desenvolvimento de recursos hídricos para uso doméstico e irrigação nos perímetros estaduais. Exemplo disso é o Programa Água Doce, que no governo itinerante é exposto por meio de uma maquete que demonstra como funciona uma das 29 unidades de dessalinização de água em Sergipe, sistemas criados e geridos pela parceria dos governos federal e estadual com as comunidades.
Sergipe tem potencial, pois ocupa a quarta maior produção de camarões do Brasil e conta com o apoio do Governo do Estado
Nesta sexta-feira, 23, no plenário Pedro Barreto de Andrade, da Assembleia Legislativa de Sergipe (Alese), a Secretaria de Estado da Agricultura, Desenvolvimento Agrário e da Pesca (Seagri) participou da Audiência Pública que trouxe como tema ‘A importância da carcinicultura no desenvolvimento social, econômico e com responsabilidade social’. Na oportunidade, a superintendente da Seagri, Ana Patrícia Barreto Guimarães, avaliou como positivo o evento que permitiu uma imagem geral da carcinicultura em Sergipe. “Para nós, que estamos realizando um censo inédito sobre aquicultura, é mais uma oportunidade de reunir dados que possam confirmar a importância socioeconômica desta atividade, como também entender quais são hoje os principais desafios”, destaca.
De acordo com o presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária e Aquicultura, e da Comissão de Agricultura da União Nacional dos Legisladores e Legislativos Estaduais (Unale), autor da audiência, Marcelo Sobral, Sergipe tem potencial, pois ocupa a quarta maior produção de camarões do Brasil, conta com o apoio do governo, mas precisa de alguns ajustes para ocupar maior patamar nacional. “Estamos buscando melhorias, devido ao potencial hídrico que temos. São seis bacias hidrográficas que são rios propensos à criação de camarão. Levar o camarão para o sertão sergipano através de poços artesianos, como acontece em outros estados e ideias para unir todos os pequenos, médios e grandes produtores. O Governo do Estado já deu o 1º passo de incluir o camarão na merenda escolar e precisamos de alguns ajustes, de mais formalização no setor. Somos o quarto maior produtor do país, só que mais de 80% dos produtores ainda estão na informalidade”, pontua.
Ainda de acordo com Sobral, já existe um diálogo com o governador Fábio Mitidieri no sentido de, ainda este ano, implementar uma lei que contemple demandas deste setor produtivo. O evento foi presidido pelo deputado Paulo Júnior, que parabenizou os participantes e os produtores de camarão por movimentarem a economia sergipana. “Esta audiência pública trata de temas tão importantes expostos por todos que fizeram as suas explanações, dessas dificuldades que os pequenos carcinicultores têm enfrentado no dia a dia, para a regularização e renovação do licenciamento ambiental”, afirma.
Características da carcinicultura em Sergipe
O cenário apresentado pelos palestrantes demonstra que a carcinicultura é uma importante atividade econômica e social praticada no litoral sergipano. A professora-doutora do Departamento de Engenharia de Pesca da Universidade Federal de Sergipe (UFS), Ana Rosa da Rocha Araújo, informou que o camarão foi introduzido no estado na década de 1990, em pequenas áreas de antigas salinas. “Hoje são pequenas áreas produtivas, mas com grande importância social, visto que a atividade está espalhada por 12 municípios do litoral e o estado ocupa a posição de quarto produtor nacional”.
O professor do Curso Técnico em Aquicultura do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Sergipe (IFS/Campus São Cristóvão), José Milton Carriço, disse que a carcinicultura em Sergipe está classificada como sistema extensivo ou semi-extensivo, utilizando uma baixa densidade. “A aquicultura é uma atividade que cada vez mais ganha importância, principalmente no que diz respeito à geração de renda para o pequeno produtor”, ressalta. MIlton mostrou que houve um incremento na área ocupada com camarão em Sergipe, passando de 1.400 hectares em 2004 para 1.500 hectares em 2016. Ele também disse que a aquicultura em volume de pescado já é maior do que a pesca artesanal, porém o consumo ainda é baixo, com cerca de 11kg/ano por pessoa.
A advogada Robéria Silva, que trabalha com o segmento da carcinicultura em Sergipe desde 2012, destaca a legislação. Segundo ela, há um marco temporal importante, que é o Código Florestal de julho de 2008. “Nosso maior desafio hoje em Sergipe é provar quais áreas são consideradas consolidadas, ou seja, que tem produção desde antes de julho de 2008”. Ela disse ainda que tem um documento importante feito pela Codise em 2006 que tem ajudante nesse processo.
De acordo com o presidente da Associação dos Criadores de Camarões de Sergipe, Alexsandro Monteiro, a carcinicultura costuma ser alvo de algumas dúvidas. “A carcinicultura é fundamental, porque atende à demanda de mais de 80% do camarão consumido no estado. O mercados e as feiras livres comercializam camarões produzidos em Sergipe e boa parte da criação é feita por pequenos produtores. Então, existe um papel muito importante, tanto econômico como social”, avalia.
A contadora Juliana Alcântara, especialista em gestão financeira, auditoria e controladoria, que falou sobre a importância da formalização da atividade, citou dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que mostram que a informalidade no segmento da carcinicultura ultrapassa os 50%. “A partir do momento que os produtores se formalizam, se tornam seguros legalmente, ambientalmente e fiscalmente”, alerta.
O empresário Félix Lee Fei representou a Câmara Empresarial de Pesca e Aquicultura do Sistema Fecomércio/Sesc/Senac. “Essa oportunidade excelente que a Assembleia Legislativa está nos dando aqui é um grande marco de levar a carcinicultura do estado de Sergipe a outro patamar. Todos os estados nordestinos têm um sistema de benefício e incentivo na área de tributação para a criação de camarão, que é a carcinicultura, e Sergipe é o único que não tem. Essa audiência, sem dúvida, vai trazer Sergipe a ter um nível de competitividade com os demais estados e, sem dúvida, isso também ajudará a levar os produtores a sair da informalidade, pois, sem muita tributação, conseguem concorrer e logicamente constituir uma empresa, ser um produtor rural que possa levar isso através de financiamentos, benefícios e apoios governamentais”, entende.
Iniciativa visa reforçar o trabalho da defesa agropecuária em Sergipe
Entre os dias 19 e 23, a Empresa de Desenvolvimento Agropecuário de Sergipe (Emdagro) realizou, em Aracaju, um curso de educação sanitária em parceria com o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). O objetivo foi capacitar os profissionais da Emdagro envolvidos na defesa sanitária animal e vegetal, preparando-os para desenvolver ações educativas em paralelo às atividades de vigilância e fiscalização.
A iniciativa é de relevância especialmente no contexto atual, em que Sergipe se posiciona como um estado livre de febre aftosa sem vacinação e de pragas quarentenárias como o Greening. Tal conquista exige um comprometimento contínuo, tanto na conscientização dos produtores rurais quanto na prevenção da entrada de outras doenças, como a peste suína clássica e a influenza aviária de alta patogenicidade.
Para a diretora de Defesa Animal e Vegetal da Emdagro, Aparecida Andrade, o curso reflete o compromisso da instituição com a sanidade agropecuária sergipana. “A Emdagro tem a responsabilidade de manter a excelência na defesa agropecuária do estado. Este curso reflete nosso empenho em aprimorar continuamente as estratégias de educação sanitária, assegurando que nossos técnicos estejam preparados para atuar de forma preventiva e educativa junto aos produtores rurais. Ele marca também um avanço significativo no fortalecimento das estratégias de defesa agropecuária em Sergipe, com a Emdagro reafirmando seu compromisso com a saúde animal e vegetal no estado”, ressaltou Aparecida.
O superintendente Federal de Agricultura em Sergipe, Jonielton Dantas, também reforçou a importância da educação sanitária como estratégia essencial na promoção da saúde e sustentabilidade. “No âmbito da defesa agropecuária, a prevenção de doenças em rebanhos e vegetais é essencial. Por isso, este momento, promovido pela Emdagro em parceria com o Ministério da Agricultura, é de extrema importância para que o estado de Sergipe desenvolva ações preventivas de educação sanitária. Essas ações visam criar um ambiente saudável e sustentável no estado, além de conscientizar a sociedade sobre o trabalho relevante que está sendo realizado na área de fiscalização agropecuária”, destacou.
O técnico agrícola Alberto Ferreira do Nascimento Junior, atua na coordenação de Defesa Vegetal. Ele destacou a importância do treinamento em educação sanitária para o desempenho de suas funções. Segundo Alberto, o curso é essencial, especialmente porque, na Defesa Vegetal, muitas atividades envolvem pessoas que, apesar de estarem no campo, não estão diretamente ligadas à produção agrícola. “A capacitação ajudará a melhorar a interação com os agricultores, particularmente na defesa da produção de murta e em outras áreas. O curso me surpreendeu positivamente, especialmente na parte em que aprendemos novas formas de comunicação e interação com os produtores”, destacou o técnico.
Quem concorda com ele é a médica veterinária Beatriz Santana, lotada no escritório de Simão Dias. Para ela, o curso é muito valioso tanto para os profissionais como para os produtores, especialmente por promover atividades participativas que aproximam os técnicos dos agricultores e produtores. Ela também mencionou que as metodologias ativas apresentadas no curso foram o aspecto que mais chamou sua atenção.
A facilitadora do curso foi a auditora fiscal agropecuária e chefe do setor de Educação Sanitária, Juliana do Amaral Moreira Conforti Vaz, que indicou que o conteúdo abordado leva em consideração as diretrizes do Programa Nacional de Educação Sanitária (Proesa). “A gente veio fazer a capacitação dos técnicos da Emdagro para a educação sanitária, mas principalmente com relação a aplicação das metodologias ativas participativas. Basicamente, trabalhamos com as seis diretrizes principais do Proesa, dentre elas a implementação de políticas públicas de educação sanitária, estabelecer mecanismos permanentes de participação dos parceiros e beneficiários e o fortalecimento, aumento da abrangência, implementação de ações de educação sanitária. A gente tem fomentado muito isso, porque o Proesa tem preconizado uma ação de educação junto com outras instituições, junto com o setor produtivo”, detalhou.