Alimento é de fácil cultivo, tem mercado e serve na rotação de culturas, por ser plantado durante todo o ano com a irrigação

Agricultores atendidos com água de irrigação e assistência técnica agrícola no Perímetro Irrigado Califórnia mais do que dobraram a produção de pimentão neste ano. De janeiro a julho de 2026, os produtores do perímetro localizado em Canindé de São Francisco, no alto sertão sergipano, já produziram 124 toneladas da hortaliça, o que corresponde a um aumento de 143%, se comparado ao mesmo período de 2025. A alta vem da melhora no preço do quilo de pimentão para comercialização, com valores em média próximos a R$ 3,00, durante este ano. Por outro lado, os programas de aquisição de alimentos sempre têm interesse pelo fruto na ‘compra com doação simultânea’.
No mesmo período de sete meses, a área ocupada pelo pimentão no Perímetro Califórnia foi de 2,45 hectares, o que também cresceu 133%. Já a renda obtida pelos irrigantes foi de R$ 369.224,00, um crescimento de 162% de um ano para o outro.
Luiz Genilson Cardoso Ferreira é um dos agricultores motivados pela produção de pimentão. Com 10 mil pés do tipo Lamuyo, variedade que permite até cinco meses de colheita, o plantio ocupa 0,33 hectare do seu lote no Califórnia e utiliza o sistema de estaquia e amarração com cordões. O replantio de mudas foi feito em solo e irrigação por gotejamento, cobertos por lona mulching. Essas tecnologias permitem o uso da fertirrigação, na qual os nutrientes vão até a planta diluídos na água da tubulação. Em 65 dias de plantio, seu Genilson já estava colhendo.
“Eu planto pimentão há muitos anos. É uma cultura barata, mas produz bem. Por isso que a gente planta, e é bem rentável, vende para Canindé, Aracaju, Itabaiana, Recife, para todo canto que mandamos. É uma lavoura que você pode plantar muito, sem problema. Vocês estão vendo o jeito da carga dele aqui. Uma roça dessa aqui, eu tiro a média de 1.500 caixas numa roça desta, no ciclo todo. O preço, desde o ano passado, só baixou agora. Eu estava vendendo de R$ 40,00, agora de R$ 20,00 a R$ 30,00. De R$ 20,00 acima, não dá prejuízo”, calculou Luiz Genilson.
Vendido para feirantes e outros comerciantes, o pimentão de Canindé tem boa procura em Sergipe e em outros estados, sendo que parte da produção dos perímetros irrigados estaduais serve para atender aos programas de compras governamentais, na modalidade de ‘compra com doação simultânea’. Técnico em agropecuária da Coderse no Perímetro Califórnia, Ozeias Beserra sinaliza que, por ser um tempero, o pimentão é um dos produtos mais procurados pelo Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), mantido pela Conab, e no Programa Estadual de Aquisição de Alimentos (PEAA), da Secretaria de Estado da Assistência Social e Cidadania (Seasic).
“No Califórnia, vem aumentando o plantio de pimentão porque é uma cultura de fácil manejo e comercialização. Os produtores estão se adaptando também a fazer com ele a rotação de cultura: sai o quiabo, entra o pimentão, sai o pimentão, vai para a melancia e retorna para o pimentão. Porque é uma cultura com a qual você consegue trabalhar o ano todo, de inverno a verão, aqui no Califórnia. O PAA ajuda o produtor porque é um preço bem atrativo, tanto o do estado quanto o do Governo Federal. E a Coderse entra com assistência técnica ao produtor para incentivá-los a produzir melhor”, destaca Ozeias Beserra.
Para Luiz Genilson, a água de irrigação e a assistência técnica, fornecidas pela Coderse no perímetro, contribuem com o sucesso dos produtores. “A sorte dos agricultores aqui de Canindé é essa irrigação. É de primeira qualidade e nunca perdi uma lavoura aqui por causa da água. Às vezes pode perder por uma doença, mas (os técnicos da Coderse) nos incentivam, com o uso dos adubos e na pulverização. O que a gente não sabe direito conta com a experiência deles”.
O técnico Ozeias Beserra reforça que orienta aos agricultores o uso do sistema de irrigação por gotejamento no cultivo do pimentão. “É mais adequado, porque tem uma eficiência na irrigação. Tem a fertirrigação, que já economiza na mão de obra para não espalhar o adubo na mão, mas também tem algumas variedades que aguentam melhor se molhar esse pimentão por cima, com microaspersor. Principalmente agora no verão, quando o sol queima muito o produto, alguns produtores preferem o microaspersor, para não perder o fruto”, explica.










