Publicado: 29 de julho de 2019, 14:07

Sementes de palma forrageira para alimentação animal começam a chegar para criadores do Alto Sertão


Com investimento de mais R$ 1 milhão na bacia leiteira, Governo distribui raquetes de palma a 872 produtores de 12 municípios

Produtores rurais de diversos municípios sergipanos já começaram a receber sementes de palma forrageira, ao longo desta semana. A entrega começou por Poço Redondo e Canindé de São Francisco, na última quarta-feira, 25, seguindo para Porto da Folha e Monte Alegre. Os outros oito municípios que serão contemplados serão atendidos na sequência. Três milhões de raquetes de palma da variedade ‘Orelha de Elefante Mexicano’ foram adquiridas pelo Governo de Sergipe, para distribuição a 872 pequenos criadores do Alto Sertão. Cada um receberá 3.400 raquetes, exclusivas para o replantio, e três sacos de adubo. Para participar do programa, cada produtor deverá repassar metade da produção a outros criadores, após as plantas atingirem o tamanho de colheita, multiplicando o alcance, ao possibilitar que cinco vezes mais pessoas sejam beneficiadas.

“Uma raquete dessas pode ser multiplicada por dez, daqui a um ano e meio. Se um produtor tem 3.400 raquetes para plantar, ele vai colher 34.000, das quais 50% serão distribuídos para os demais agropecuaristas, para que a gente dissemine a variedade o mais rápido possível com os outros criadores”, explicou o engenheiro agrônomo Ary Bonfim, chefe do escritório regional da Empresa de Desenvolvimento Agropecuário de Sergipe em Nossa Senhora da Glória. A Emdagro é quem executa o projeto, fruto de termo de cooperação técnica firmado entre as secretarias de Estado da Agricultura – Seagri e da Inclusão Social – Seit, que é quem destina o recurso na ordem de R$ 1 milhão, oriundo do Fundo Estadual de Combate à Pobreza. Considerando também as sementes de milho e de arroz adquiridas, a edição 2019 do Programa de Distribuição de Sementes envolveu o investimento de R$ 2.590.000,00 pelo governo de Sergipe.

No Assentamento Lagoa das Areias, em Poço Redondo, seu José Correia cria oito vacas de leite, carneiros, cabras e porcos. Seus animais, que na época de chuvas de inverno se alimentam de capim e forragem de milho, têm na palma forrageira a alternativa viável no verão, quando todas as outras espécies vegetais secam, exceto as cactáceas. No escritório da Emdagro do município, ele buscou as raquetes da nova variedade, muito maiores que as que já plantava em seu lote. “Me surpreendi com o que vi. Quero sempre tirar a semente delas, para não acabar mais. Aqui no Sertão a cultura da gente é essa, é a palma. A gente utiliza na forrageira, faz o farelo, corta na cocheira e o gado come. Então, para nós foi uma satisfação chegar esse projeto aqui, para depois abranger todos os nossos companheiros. Nós só podemos agradecer”, disse.

No povoado União, assentamento Barra da Onça, em Poço Redondo, Dona Maria da Graça Santos também considerou a nova palma melhor que a variedade que ela e o marido já plantavam no lote, para atender ao rebanho de vacas de leite e ovelhas. “A importância da palma é muito grande. É com ela que a gente cria os bichinhos. Quando chegar aquele verão, em que não tiver aquela trovoada de tempos atrás, se não tiver a palma para dar ao gado, nós não temos futuro. Temos que ir plantando, para não deixar faltar, para sempre ter para os bichinhos. E essas sementes chegaram em boa hora, foi uma benção essa palma chegar. A gente vai plantar e depois tirar semente”, contou.

A palma Orelha de Elefante Mexicana é resistente a estresse hídrico e à Cochonilha-do-carmim, praga capaz de devastar os palmais. Por essa razão, conforme explica Ary Bomfim, a Emdagro decidiu inserir essa variedade, como forma de divulgação, em todos os 12 municípios [Aquidabã, Canindé, Gararu, Itabi, Monte Alegre, Poço Redondo, Poço Verde, Porto Da Folha, Simão Dias, Tobias Barreto, nossa senhora da Glória e de Lourdes]. “O produtor vai receber 3.400 raquetes para plantio, no espaçamento de 80 por 50, e também receberão três sacos de adubo superfosfato simples, para facilitar e agilizar o processo de crescimento”, completou Ary. Ainda segundo ele, as sementes de palma vieram do município de Monteiro, na Paraíba, com qualidade sanitária, vegetativa e física avaliadas como “muito boas”.

|Fotos: Fernando Augusto 


Atualizado: 29 de julho de 2019, 14:07
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